O ministro da Defesa israelita, Avigdor Liebermanm, disse esta segunda-feira que os Estados Unidos avisaram Israel que a anexação da Cisjordânia desencadearia uma “crise imediata” com a administração do Presidente Donald Trump.

“Recebemos uma mensagem direta muito clara por parte dos Estados Unidos, segundo a qual aplicar a legislação israelita à Judeia-Samaria [o nome dado pelos israelitas à região da Cisjordânia] provocaria uma crise imediata com a nova administração” americana liderada por Trump, afirmou o ministro israelita numa comissão parlamentar.

Avigdor Liebermanm rejeitava desta forma as recentes declarações do deputado Miki Zohar do partido de direita Likud (a força política do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu), que defendeu no domingo em declarações a um canal de televisão que “a solução de dois Estados (israelita e palestiniano) está morta”.

“Resta apenas uma opção: um único Estado no qual os palestinianos teriam todos os direitos, exceto o direito de votar no Knesset [o parlamento israelita]”, acrescentou o deputado do Likud. Avigdor Liebermanm, um dos homens fortes da atual coligação governamental, sublinhou igualmente que custará muito caro a Israel anexar este pequeno território palestiniano, ocupado pelo exército israelita desde 1967.

“Desde o primeiro dia, Israel será obrigado a pagar 20 mil milhões de shekels [4,9 mil milhões de euros] para direitos sociais, subsídios de desemprego, licenças de maternidade de 2,7 milhões de palestinianos”, anteviu o ministro da Defesa israelita. “Perante tais condições, peço aos deputados que sejam responsáveis e evitem uma crise com os Estados Unidos e o desembolso de tal quantia”, reforçou Liebermanm, que lidera o partido nacionalista Yisrael Beytenu.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, tem apoiado publicamente a solução de dois Estados, mas, nos últimos meses, tem mencionado esta questão cada vez menos. Do lado americano, Donald Trump pareceu distanciar-se da ideia da criação de um Estado palestiniano para alcançar a paz no Médio Oriente, rompendo com décadas de diplomacia internacional.

Uma linha mais dura da direita israelita defende uma anexação da Cisjordânia, processo que começaria no grande colonato de Ma’ale Adumim, situado perto de Jerusalém, onde vivem mais de 37.000 colonos israelitas. Um projeto de lei a defender este processo chegou a constar na agenda do conselho de ministros do domingo passado, mas a sua avaliação acabou por ser adiada sem data definida.