O chefe da Polícia das Filipinas Ronald dela Rosa declarou esta segunda-feira reaberta a polémica “guerra contra as drogas”, na qual prometeu envolver representantes da Igreja Católica e de outras religiões para fazer a campanha “menos sangrenta”. “Temos o objetivo de que esta Tokhang (nome filipino para a guerra antidroga) seja uma campanha menos sangrenta, senão totalmente isenta de sangue. Por isso envolvemos a igreja”, disse Ronald dela Rosa, em declarações transmitidas pela estação local ABS-CBN.

O diretor da Polícia explicou que a partir de agora os agentes “devem estar acompanhados por representantes da Igreja”, assim como de outras religiões, nas operações antidroga, que consistirão principalmente em reabilitar os toxicodependentes e combater os narcotraficantes. “Desta forma, seremos capazes de evitar acusações de que a ‘Tokhang’ está por detrás dos assassinatos por resolver e a nossa igreja verá que a campanha está orientada para salvar os consumidores e mandar para a prisão os traficantes”, disse.

Dela Rosa anunciou a criação do novo Grupo de Controlo de Drogas (DEG, nas siglas em inglês), que vai substituir o extinto Grupo Contra as Drogas Ilegais (AIDG), sobre o qual recaem suspeitas de corrupção.

Os agentes que integrem o DEG, afirmou, vão passar por controlos exaustivos para evitar que se repitam casos de corrupção como o homicídio do empresário sul-coreano Jee Ick-joo alegadamente às mãos de polícias do AIDG.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

O Presidente filipino, Rodrigo Duterte, suspendeu a campanha antidroga no final de janeiro devido a este caso e prometeu levar a cabo uma “limpeza” na Polícia Nacional antes de a retomar.

A campanha iniciada a mando de Duterte causou desde junho do ano passado 7.080 mortos, dos quais 2.555 foram abatidos pela polícia, alegadamente por resistirem às autoridades, 3.603 estão classificados como “mortes sob investigação” e 922 foram casos cerrados sem identificar os culpados, segundos dados oficiais. A campanha motivou duras críticas de países e organizações internacionais como a Human Rights Watch e a Amnistia Internacional, que consideram que a “guerra contra as drogas” nas Filipinas viola os direitos humanos da população.