O secretário de Estado da Comunicação Social de Angola apelou esta segunda-feira à “promoção do civismo” da comunicação social, face ao aproximar das eleições gerais previstas para agosto, para que os cidadãos possam “decidir em consciência”.

Manuel da Conceição discursavaesta segunda-feira, em Luanda, durante a cerimónia de abertura das jornadas de produção radiofónica, organizada pela Radiodifusão Nacional de Angola (RNA), rádio estatal angolana, tendo exortado todos os órgãos de comunicação a prepararem-se para o papel eleitoral “com mestria”.

“Neste processo, os órgãos de comunicação social jogam um papel de peculiar importância. A eles incumbe a missão de contribuírem na enraização do civismo entre os cidadãos e no seu esclarecimento, para que possam decidir em consciência”, disse o governante.

De acordo com Manuel da Conceição, os órgãos de comunicação social devem preparar-se para o acompanhamento das eleições gerais, sobretudo do ponto de vista técnico, tecnológico e editorial.

Os órgãos públicos de comunicação social em Angola têm sido fortemente acusados pelos partidos políticos da oposição de imparcialidade”, alegando que “estão a serviço do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA)”, partido no poder em Angola desde 1975.

Essa crítica assenta, nomeadamente, nas várias horas de transmissão em direto, nos órgãos públicos, e outros destaques, das atividades de pré-campanha que João Lourenço, cabeça-de-lista do partido às eleições gerais deste ano, tem vindo a realizar no último mês.

Dados preliminares estimam em cerca de nove milhões de eleitores que estarão em condições de votar nas eleições de agosto, às quais já não concorre o atual chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979.

O secretário de Estado da Comunicação Social de Angola enalteceu no seu discurso a abordagem sobre a cobertura das eleições gerais, aprazadas para agosto próximo, e ao mesmo tempo assinalou a migração do sistema analógico para o digital como “fatores determinantes” na conformação do universo comunicacional.

“Num momento em que está em curso a migração do sistema analógico para o digital, as jornadas [da RNA] constituem uma oportunidade soberana para se refletir sobre a estratégia e políticas a adotar para a efetivação desse processo”, observou o governante.

Angola vive desde finais de 2014, uma profunda crise económica e financeira resultante da queda das receitas petrolíferas, com reflexos na redução das despesas do Estado. Por esse motivo, Manuel da Conceição defendeu como “necessidade urgente” encontrar mecanismos que “viabilizem a obtenção de recursos financeiros”, nomeadamente através da venda de serviços e produtos da RNA.