François Fillon pode estar agora mais tranquilo. O principal candidato a substitui-lo na corrida ao Eliseu deu uma conferência de imprensa esta segunda-feira, onde garantiu: “De uma vez por todas, não serei candidato“. Apesar de deixar críticas ao atual candidato da direita e vencedor das primárias, confessou: “Para mim, é muito tarde, mas obviamente não é tarde demais para a França”. No domingo, Fillon tinha dado uma demonstração de força, num comício no Trocadero. Apesar da retirada de Juppé, mantém-se agendada uma reunião da cúpula do partido para esta tarde, quando faltam 49 dias para as eleições.

O facto de Juppé se retirar é relevante depois de no último sábado terem sido noticiados jogos de bastidores entre Alain Juppé e o antigo presidente francês, Nicholas Sarkozy, para afastar Fillon. A imprensa francesa antecipava um pacto de senadores de “Os Republicanos” para forçar a troca de candidato, numa altura em que as sondagens colocavam Juppé à frente de Marine Le Pen logo na primeira volta.

Na conferência de imprensa Juppé assumia que uma candidatura só podia ser decisiva se o partido estivesse “unido” e, como não é capaz de “mobilizar em torno de um projeto unificador”, opta por não ser candidato. O segundo classificado das primárias do partido de direita, confessou que na última semana recebeu “numerosos apelos a que fosse candidato” que o fizeram “hesitar” e “refletir.” Acrescentou ainda que “a França precisa de renovação” e que ele próprio não personifica essa renovação.

Em críticas a François Fillon, Juppé lembrou que, após as primárias, o seu adversário tinha “uma avenida à sua frente” para vencer as presidenciais. Criticou ainda o facto de Fillon atribuir a queda nas sondagens a uma “cabala” dentro do partido, já que a responsabilidade para que não tenha tido esse caminho livre rumo ao Eliséu é dele próprio.

O diretor de campanha de Juppé nas primárias, Gilles Boyer, lamentava pouco depois o facto de não haver condições para o antigo primeiro-ministro continuar:

A declaração de Juppé foi proferida em Bordéus, onde é presidente da Câmara. Pouco tempo antes, o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy tinha proposto uma reunião a três com Fillon e Juppé de forma a “encontrar uma saída digna e credível para uma situação que não pode continuar”. Sarkozy já tinha também dito, em comunicado, que, “perante a gravidade da situação (…), cada um deve fazer tudo para preservar a unidade”, já que a situação é insustentável e “cria uma profunda consternação nos franceses”.

Nos últimos dias, Fillon tem jogado os seus trunfos: o maior é a legitimidade por ter ganho as primárias. No comício no Trocadero, apesar da chuva e do frio, o vencedor das primárias conseguiu juntar milhares de apoiantes este domingo. No mesmo evento, voltou a fazer um mea culpa pelo caso em que está a ser investigado por alegado favorecimento à sua mulher, Penélope Fillon. “Cometi um primeiro erro ao ter contratado a minha mulher”, disse perante os apoiantes, acrescentando: “Não foi nada de ilegal, mas não o devia ter feita.”

Com a Torre Eiffel como pano de fundo nem uma palavra sobre a tentativa de o retirarem da corrida. Isso ficaria para uma entrevista à France 2, onde deixou um claro aviso que não vai sair pelo próprio pé: “Ninguém me pode impedir hoje de ser candidato.” Fillon lembrou, na mesma entrevista que foi escolhido por uma via democrática e que isso lhe dá legitimidade para continuar como candidato. Além disso, acredita que a sua retirada criaria u “impasse político” na sua “família política.”

Fillon reconhece “erros”, mas mantém-se na corrida

Antes dessa entrevista, o presidente de “Os Republicanos” na região de Provence-Alpes-Côte d’Azur, Christian Estrosi, apontava como ideal convencer Fillon a ter uma “saída digna.” “François Fillon defende um verdadeiro projeto de alternativa para França, mas ele não pode ser mais o rosto desse projeto”, afirmou Christian Estrosi.

Em sentido inverso, outros dois dirigentes regionais (Xavier Bertrand, Haust-de-France; e Valérie Pécresse, Ile-de-France) utilizaram o Twitter para apoiar François Fillon. No domingo, Valérie Pécresse escreveu que defenderia a candidatura de Fillon, pois faz falta a França, e Xavier Bertrand lembrava que “unidos”, os Republicanos poderiam vencer a Frente Nacional (extrema-direita, de Marine Le Pen).

Já esta segunda-feira ambos os dirigentes regionais apelaram à unidade do partido. Valérie Pécresse disse que a união era “urgente” e Xavier Bertrar que era essencial para o partido vencer as presidenciais.