A terceira temporada de “Como Defender um Assassino” chega a Portugal esta terça feira, dia 7 (23h10). Outra vez no AXN, para não haver confusões, e outra vez a contar a história de um grupo de quase-advogados, liderados por uma profissional do mesmo ramo que parece ter toda a experiência do mundo — experiência, atitude e ganância, vá. Ora esta patroa é Viola Davis, que interpreta Annalise Keating. Na verdade, podia ter outra nome qualquer. V-I-O-L-A. É só isto que interessa. Sobretudo depois de ter ganho o Óscar para Melhor Atriz Secundária por “Vedações”. Não é que o valor não estivesse já lá, mas um Óscar é um Óscar é um Óscar.

[promo da terceira temporada:]

Ainda assim, há mais gente que faz de “How To Get Away With Murder” (título original) um razoável fenómeno. Recordemos quem são, mesmo que tenhamos de começar pela senhora Davis. E não, este artigo não vai revelar nada sobre a terceira temporada. Até porque a dita já terminou nos EUA e a internet está cheia de spoilers, não precisa de mais.

Viola Davis

Ora bem: Annalise Keating, a estrela da série. A advogada sem sentimentos, a professora de direito que vê aulas de vida ou morte em qualquer sítio, a qualquer hora. É o cruzamento entre uma personagem imaginada por Aaron Sorkin (falar é com ela) e uma mãe tirana, sendo que filhos são todos os que lhe aparecem pela frente em busca de orientação. Ela orienta, mas quase nunca tendo em conta os objetivos dos pequenos. Trabalha por conta própria, mesmo quando trabalha em grupo. Feitios. Ao mesmo tempo, Keating é feita de fragilidades, que de vez em quando revela, mas quase sempre no recato do lar, quando já não há ninguém para ver. E foi essa oposição dentro da mesma personalidade que fascinou (e continua a fascinar, ao que parece) Viola Davis.

Shonda Rimes

A patroa Shonda, a criadora de “Anatomia de Grey”, a “dona disto tudo”, sendo que “isto tudo” é a televisão americana (que é também mundial, bem sabemos). Foi ela que se chegou à frente para produzir a série, já depois de “Clínica Privada” e “Scandal”. Caramba, esta é a Oprah das séries, que já tinha até criado uma produtora com o seu nome, ShondaLand. E foi a partir dos escritórios desta fábrica de ficção que Rimes vendeu o seu novo produto à ABC, uma das grandes cadeias televisivas americanas em sinal aberto — ou seja, a televisão que chega a todos. Goste-se ou não dos produtos com o carimbo de Shonda, são poucos os que conseguem ver ao longe o sucesso que uma série pode fazer quando chegar perto dos espectadores.

[os bastidores de ShondaLand, Viola Davis incluída:]

Peter Nowalk

Se Shonda pagou o que foi preciso para pôr a série a andar (e depois fazer contas generosas a seu favor, claro está), Peter Nowalk foi o tipo que teve a ideia. “E que tal se pegássemos numa advogada que acaba metida no meio de um homícidio, em conjunto com cinco dos seus estudantes da Faculdade de Direito?” Deve ter sido mais ou menos isto que a Nowalk pensou. Tinha a favor o facto de já conhecer bem os gostos e os métodos de Shonda Rimes. Peter começou como argumentista em “Anatomia de Grey”, passou por “Scandal” e tornou-se criador e produtor executivo de “Como Defender um Assassino”. Mas de alguma maneira, parece que voltamos sempre a Viola. Dizia Nowalk numa entrevista recente ao site Buzzfeed: “A maior pressão foi a de não desiludir a Viola. Basicamente, ela e é uma espécie de Meryl Streep. E cheguei a ter um daqueles momentos ‘não sei o que fazer com isto'”. Bom, se assim foi, a verdade é que safou-se bem.

Billy Brown e Alfred Enoch

Depois de Viola Davis e da sua Annalise Keating, estes são os atores mais importantes de “Como Defender um Assassino”. Brown e Enoch interpretam, respetivamente, Nate Lahey e Wes Gibbins. O primeiro é um detetive, o segundo um dos alunos de Annalise. Ambos fazem oposição colaboracionista: ora estão do lado da advogada, ora estão contra, a coisa é complicada, pode até envolver tensão sexual e é de tudo isso que um programa de televisão serve quando quer chegar longe. À bolei de tudo isto, Billy e Alfred conquistaram lugares de destaque na liga dos sex symbols da TV. Ora é assim que um ciclo se completa, e o de “Como Defender um Assassino” continua bem desenhado.