A petrolífera angolana Sonangol garante que os dois navios-sonda encomendados à Coreia do Sul, um negócio de 1.100 milhões de euros, vão entrar em breve ao serviço, após concluído o novo modelo de negócio para os rentabilizar. Em causa está a aquisição destes navios à Daewoo Shipbuilding and Marine Engineering (DSME), mas cujo pagamento por parte da empresa pública angolana tem vindo a ser sucessivamente atrasado, devido às próprias dificuldades que a Sonangol atravessa.

A situação inviabiliza a entrega dos navios e além disso ameaça a sobrevivência daquele estaleiro, o segundo maior da Coreia do Sul.

A Sonangol está a desenvolver com os seus parceiros internacionais um novo modelo de negócio para rentabilizar dois navios-sonda adquiridos pela companhia na Coreia do Sul e que, brevemente, entrarão ao serviço”, afirma a Sonangol, no comunicado divulgado esta segunda-feira.

Para tal, a empresa concessionária do setor petrolífero angolano, necessita ainda avançar com a “conclusão do processo de financiamento, seleção final de parceiros tecnológicos e por uma identificação de novas oportunidades de produção”. “Etapas já comunicadas e discutidas com as companhias internacionais do ramo petrolífero que operam em Angola: Esso, Chevron, BP, Eni e Total”, explica a concessionária, que assim pretende envolver as multinacionais do setor neste processo.

Segundo a imprensa internacional, aquando da contratação destes navios à DSME, em 2013, por 1.240 milhões de dólares, a Sonangol pagou 20% do valor como entrada, mas terá falhado as restantes prestações.

A petrolífera angolana adiante que a entrada em operação dos navios-sonda se fará “de acordo com as regras de ‘compliance’ ” e tendo ainda subjacente um Memorando de Entendimento entre a Sonangol e as companhias operadoras internacionais “de forma a estabelecer uma tarifa diária competitiva e sustentável, indexada aos preços médios praticados no mercado internacional”.

A empresa angolana entrou em processo de reestruturação, após a posse, em junho de 2016, de Isabel dos Santos como presidente do conselho de administração, tendo chegado ao final do ano com uma dívida total à volta de 9.000 milhões de euros.

O processo de transformação que vem sendo implementado desde julho de 2016, sendo transversal a toda a empresa, possibilita a criação de um ambiente de negócios mais favorável, reduz os custos da produção e facilita o acesso a reservas de menor dimensão. Há assim condições para um melhor aproveitamento dos recursos através de práticas de operação de excelência de acordo com os mais elevados padrões internacionais”, enfatiza a Sonangol em comunicado.

A Lusa noticiou a 27 de fevereiro que as receitas fiscais geradas pela petrolífera angolana Sonangol cresceram mais de 70% entre dezembro e janeiro, ultrapassando os 109,3 mil milhões de kwanzas (625 milhões de euros).

Este crescimento, tendo em conta os relatórios mensais do Ministério das Finanças sobre receita fiscal petrolífera, justifica-se com o aumento da cotação média do barril de crude que resultou do acordo entre os países produtores para reduzir a produção de petróleo bruto.

Angola exportou em janeiro 52.250.079 barris de crude, a um preço médio superior a 51 dólares, um aumento superior a 3,3 milhões de barris de petróleo face a dezembro de 2016, mês em que cada barril foi vendido, em média, a 44,2 dólares.

As vendas de janeiro traduziram-se, segundo os dados do Ministério das Finanças num encaixe de 158,9 mil milhões de kwanzas (909 milhões de euros), dos quais 109,3 mil milhões de kwanzas (625 milhões de euros) garantidos pela Sonangol, concessionária estatal do setor petrolífero.

Em dezembro de 2016, as receitas fiscais da petrolífera liderada pela empresária Isabel dos Santos, ascenderam a 63.593 milhões de kwanzas (365 milhões de euros), o que se traduz num aumento de 71% em apenas um mês.