Guimarães. Era o primeiro dia de outubro no ano passado. A procissão ainda ia no adro e a jornada era a sétima. Mas há empates que fazem um mal à confiança pior do que certas derrotas. E aquele empate de sábado à noite em Guimarães fez. Porquê? É que o Sporting derrotava até vinte minutos do fim o Vitória no estádio D. Afonso Henriques por “limpinhos” 0-3. E isso não é para qualquer um.

O pior viria depois, com o bis de Marega e outro golo de Tiquinho Soares (sim, esse, o do FC Porto, que de azul-e-branco não pára de “molhar a sopa”) aos 89′, deixando-se o Sporting empatar sobre o gongo. Este empate e a derrota (3-1) duas jornadas antes em Vila do Conde não condenaram o Sporting à penosa época que está a realizar, mas envolveram-lhe a corda no pescoço e deixaram-no no cadafalso, à espera de um carrasco de seu nome janeiro, mês janeiro, que trataria do resto, eliminando o Sporting das taças (a Europa foi-se antes do Natal) de uma assentada.

Mas nem tudo foi mau no empate de Guimarães.

A verdade é de que daí para cá — e entenda-se por “cá” este domingo em que o Vitória tornaria a empatar o Sporting — nunca mais os verde-e-brancos perderiam a partir do momento em que se encontraram em vantagem no resultado. Ao todo, não foi um, nem dois nem três, mas 12 jogos em que a vantagem inicial manter-se-ia até final e o Sporting venceria mesmo. Uma volta inteira de campeonato (com encontros, é certo, na Champions e taças somados pelo meio) sem desperdício: Famalicão, Arouca, Boavista, outra vez o Arouca, Vitória de Setúbal em duas ocasiões, Belenenses, Varzim, Feirense, Paços de Ferreira, Rio Ave e Estoril.

A coisa até começou bem em Alvalade, o bromance de Bas Dost e Alan Ruiz voltaria a dar em golo na primeira parte, mas Marega (que até nem marcava há cinco meses) resolveu aos 76′ que era hora de por fim a esta mania do Sporting vencer sempre que marca primeiro. E lá empatou o jogo, o maliano, para o Vitória. Um Vitória que até é perito a recuperar de desvantagens ao intervalo em Alvalade: consegui-o em 1976, 1981, 1996 e 2010. Nas duas primeiras vezes empatou como agora, nas duas seguintes triunfaria mesmo. Do mal o menos, pensarão os sportinguistas menos exigentes.

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Exigente é Bruno de Carvalho. No banco de suplente o semblante do presidente, que no sábado (ou melhor, madrugada de domingo) era todo jubilo com a reeleição, cerrou-se e era de poucos amigos após o empate. E o caso não é para menos: é que esta é a pior temporada do Sporting à passagem da 24ª jornada nas últimos quatro temporadas. Em 2013/14 somava 54 pontos, em 2014/15 contavam-se 50, na temporada passada (a melhor de todas) eram 59 os pontos, enquanto que agora são escassos 48. Com isso, Benfica e FC Porto distanciam-se cada vez mais e quer o título quer o mal menor, o apuramento direto para a Liga dos Campeões, são cada vez mais impossíveis de alcançar.