As autoridades portuguesas estão “muito preocupadas” com a falta de informação sobre a localização do cidadão português desaparecido em meados do ano passado, disse esta terça-feira à Lusa o ministro dos Negócios Estrangeiros.

As autoridades portuguesas — o Presidente da República e o Governo — estão muito preocupadas, como é seu dever, em relação às condições do desaparecimento de um nosso concidadão numa região de Moçambique, sobretudo ao facto de, vários meses depois de se ter verificado, não termos nenhum elemento concreto que os permita conhecer a sorte, o destino, a localização desse concidadão”, afirmou Augusto Santos Silva, à margem da inauguração da chancelaria do principado do Mónaco.

Há uma semana, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português informou que o ministro do Interior moçambicano “deu conta”, em Lisboa, ao Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa , e ao primeiro-ministro, António Costa, “de que prosseguem as investigações das autoridades moçambicanas tendentes a apurar a situação do cidadão português desaparecido, em Moçambique, desde meados de 2016”.

O ministro moçambicano Jaime Basílio Monteiro transmitiu estas informações na qualidade de enviado do Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

O empresário português está desaparecido há oito meses, depois de ter sido levado por desconhecidos para parte incerta, no distrito de Gorongosa, uma área com forte presença das Forças de Defesa e Segurança, envolvidas em confrontos com o braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo).

Temos feito tudo o que podemos, do ponto de vista diplomático e político para obter informações sobre esse caso. As autoridades moçambicanas comunicam-nos que estão a desenvolver as investigações policiais e judiciais necessárias”, afirmou Santos Silva.

O executivo de Maputo, acrescentou o ministro, acredita que “o passo muito positivo que foi dado na semana passada no diálogo político entre o governo moçambicano e a Renamo poderá melhorar as condições para que essas investigações policiais se efetivem com resultado”.

Na sexta-feira passada, Afonso Dhlakama, presidente da Renamo, principal partido da oposição moçambicana, anunciou a prorrogação da trégua — em vigor desde dezembro – nos confrontos com as Forças de Defesa e Segurança (FDS) moçambicanas por mais 60 dias, manifestando confiança num acordo definitivo.

Portugal aguarda desenvolvimentos no caso do desaparecimento do português e tem oferecido às autoridades moçambicanas “toda a cooperação que elas entendam necessária e útil, seja ao nível policial ou judicial”.

As autoridades moçambicanas dizem que é necessária a criação de outras condições de segurança para que as próprias entidades policiais possam fazer um trabalho mais efetivo e julgam que agora haverá melhoria dessas condições”, referiu o chefe da diplomacia portuguesa.

Questionado se a demora na resposta dos responsáveis moçambicanos incomodou o Governo português, o ministro respondeu: “Não é uma questão de estar incomodado ou satisfeito. É uma questão de fazer o nosso trabalho, que é o de garantir sempre que os interesses e os direitos dos portugueses estão a ser respeitados”.

A Renamo rejeitou esta terça-feira, em declarações à Lusa, qualquer ligação ao desaparecimento do empresário português, considerando absurdas as declarações do ministro do Interior moçambicano, Jaime Basílio Monteiro, em Portugal, citadas pelo jornal Público.

Segundo o jornal, o enviado de Filipe Nyusi disse que há suspeitas de que a Renamo, que mantém bases armadas na Gorongosa, esteve envolvida no rapto, segundo dados transmitidos pela família do empresário.