Mais de meia centena de guardas prisionais concentraram-se esta quarta-feira diante da Direção-Geral dos Serviços Prisionais (DGRSP) para protestar contra declarações do diretor da DGRSP sobre um possível envolvimento de guardas na fuga de reclusos da prisão Caxias.

A realização da vigília junto da sede da DGRSP, em Lisboa, foi marcada pelo Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) como forma de protesto pelas recentes afirmações de Celso Manata, em entrevista ao jornal Expresso, em que referiu que “houve uma denúncia de corrupção que pode explicar a fuga”, podendo ter havido “uma atuação dolosa ou negligente por ação ou omissão da parte do pessoal”.

O presidente do SNCGP, Jorge Alves, presente na vigília, referiu que na afirmação de Celso Manata “ficou lançada a ideia de que só há uma de duas situações que permitiriam a fuga: corrupção ou negligência”. Segundo Jorge Alves, o pessoal da guarda prisional “sentiu-se ferido na sua dignidade porque, diariamente, nas cadeias”, inclusivamente na prisão de Caxiaas, onde ocorreu a fuga de três reclusos, “trabalham nas condições que trabalham e fazem o melhor que podem para que estas situações (fugas) não aconteçam”.

Um dos objetivos da vigília, precisou o presidente do SNCGP, é que a tutela perceba que “o corpo da guarda prisional faz o que pode e faz muito para que a vida nas cadeias corra o melhor possível”. “O resultado deste trabalho são as estatísticas que indicam que há cada vez menos fugas das cadeias”, enfatizou.

A este propósito, revelou ainda que a maioria das 52 fugas ocorridas no sistema prisional, nos últimos cinco anos, foi protagonizada por reclusos que se encontravam em regime aberto. O protesto, ao som de apitos e com a exibição de bandeiras do sindicato, visa também alertar para o défice de guardas prisionais nas cadeias e contra a falta de segurança no Estabelecimento Prisional de Caxias. A manifestação dos guardas prisionais está a ser vigiada por vários agentes da PSP, que montaram um perímetro de segurança no local.