O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, garantiu esta quarta-feira, numa entrevista à Radio France Internationale (RFI), que não será demitido e nem se demitirá de funções apesar de contestações internas e internacionais de que é alvo.

Na entrevista, Sissoco Embaló respondeu às declarações, na terça-feira à mesma emissora, do presidente da comissão da Comunidade Económica de Estados da Africa Ocidental (CEDEAO), Marcel de Souza, que colocou em causa a continuidade do governo de Embaló.

O responsável da CEDEAO dizia que o governo em funções na Guiné-Bissau foi formado fora do quadro do Acordo de Conacri – instrumento patrocinado pela comunidade internacional para acabar com a crise política no país – pelo que era preciso constituir um novo executivo.

“Deixe-me rir primeiro, porque não sei se é o Marcel de Souza que foi eleito Presidente da Guiné-Bissau ou se é o José Mário Vaz”, defendeu esta quarta-feira, Umaro Sissoco Embaló, criticando ainda a postura do presidente da comissão da CEDEAO.

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“Marcel de Souza está a jogar, talvez a cartada de [Presidente da Guiné-Conacri] Alpha Condé, mas não vão conseguir pegar fogo à Guiné-Bissau”, observou o primeiro-ministro guineense, que garante que nem se vai demitir e nem será demitido de funções pelo Presidente guineense, José Mário Vaz.

“Serei o último primeiro-ministro de José Mário Vaz durante o presente mandato do Presidente. Isso garanto-vos”, notou Umaro Embaló.

O primeiro-ministro instou ainda o presidente da Comissão da CEDEAO para que “modere a linguagem” quando se refere ao chefe do Estado da Guiné-Bissau “por não ser aceitável” que Marcel de Souza faça pressão sobre José Mário Vaz, disse.

“O Presidente da Comissão da CEDEAO não pode pressionar um chefe de Estado. É bom que mude a sua linguagem. É inaceitável e não o permitiremos isso”, enalteceu Umaro Embaló.

Na entrevista à RFI, Marcel de Souza afirmou que a organização iria aumentar a pressão sobre José Mário Vaz, retirando a força militar oeste africana estacionada em Bissau, a Ecomib, se até abril o líder guineense não cumprisse com o Acordo de Conacri.

Quanto a Alpha Condé, Umaro Embaló considerou que a ter que nomear um novo primeiro-ministro que o faça no seu país, Guiné-Conacri, onde, disse, devia nomear o seu eterno opositor, Cellou Dalien Diallo.

“Foi este quem ganhou as primeiras eleições no país deles, mas não o nomeou”, observou o chefe do governo guineense.