Um estudo revelou que uma velha técnica usada pelos gregos poderá ser eficaz para recuperar memórias perdidas, conta o The Guardian. Criada pelo poeta Simonides de Ceos e intitulada método de loci, implica olhar durante um determinado período de tempo para fotografias ou imagens daquilo que nos queremos lembrar, como fotos de família ou objetos, de forma a reter o máximo de informação possível.

A investigação, levada a cabo por cientistas holandeses da Universidade de Radboud, recrutou 23 dos 50 melhores “atletas” de memória que detêm a maior pontuação no Campeonato Mundial de Memória (competição onde a capacidade de memória é colocada à prova). Aos atletas foram dados 20 minutos para decorar uma lista com 72 nomes aleatórios que, em média, conseguiram decorar 71 dessas palavras. O mesmo exercício foi feito por um grupo de pessoas sem qualquer tipo de treino de memória que, ao contrário dos “atletas”, disseram apenas 26 das 72 palavras. Após sessões diárias de 30 minutos e, durante 40 dias, o último grupo passou a memorizar o dobro: 62 nomes em vez de 26. Já fim de quatro meses, a sua capacidade de memória manteve-se elevada, com 48 palavras.

As pessoas pegam numa coisa que é realmente difícil de lembrar e transformam-na em algo completamente acessível. Não quer dizer que faça com que a capacidade de memória aumente, apenas é utilizada uma forma diferente de memória que já possui uma maior capacidade”, explicou Boris Konrad, um dos autores do estudo e neurocientista no Instituto de Psiquiatria Max Planck.

Martin Dresler, também neurocientista e responsável pela investigação, admitiu que a partir do momento em que as pessoas adotam este tipo de estratégias para melhorar a memória, a capacidade mantém-se ao longo do tempo. “Uma vez que as pessoas se familiarizam com estas técnicas e as aplicam corretamente, poderão manter o seu desempenho em alta sem precisar de muita formação contínua”, salientou.

Imagens do cérebro dos voluntários, obtidas através de uma ressonância magnética antes e depois dos exercícios, mostraram ainda que o treino da memória alterou algumas das funções cerebrais, tornando-as semelhantes às dos “atletas” de memória.

Depois dos treinos é possível ver um melhor desempenho nos testes de memória. Não só pode induzir a uma mudança de comportamento, como também a padrões de conetividade cerebral semelhantes aos observados nos atletas de memória”, confirmou Dresler.

Imagens das ressonâncias magnéticas

O estudo foi publicado pelo jornal Neuron.