O Arouca está em 12.º lugar mas tem feito mais notícias do que no ano passado, quando alcançou uma histórica qualificação para a Liga Europa. Ele é o presidente que arranja problema com muita gente (depois dos filmes de baixa definição em Alvalade – é o que dá não haver grande qualidade nas câmaras dos túneis -, houve agora uns arrufos em Braga com um segurança do estádio), ele é o diretor filho do presidente que também aparece sempre embrulhado na coisa, ele é o treinador que consegue recuperar na tabela mas sai para Israel (Lito Vidigal), ele é o técnico que apanha a equipa a piscar o olho à Europa mas não consegue inverter o sentido de derrotas (Manuel Machado). Um filme pitoresco mas que conseguiu o impossível: entrar na história de Iker Casillas.

E porquê? Porque aos 35 anos, a caminho dos 36, o gigante espanhol ainda foi a tempo de bater mais um recorde na longa carreira: pela primeira vez, e mesmo a nove jornadas do fim da Primeira Liga, conseguiu estar 16 encontros sem sofrer golos. Mais uma vez, e em terra de Pinhos, foi um eucalipto que secou o ataque contrário. Mas, verdade seja dita, também não teve muito para fazer.

Contas feitas, e desde que se estreou em 1999/00 pelo Real Madrid, Casillas tinha conseguido manter a baliza inviolável em 15 jogos do campeonato em duas épocas: 2004/05 e 2005/06. No FC Porto, em ano de estreia (2015/16), tinha ficado pelos 14. Agora, vai nos 16. E promete não ficar por aqui, perante as exibições “limpinhas, limpinhas” que a equipa do FC Porto tem tido recentemente (e não é defesa, é mesmo a equipa, como se viu na quantidade de bolas recuperadas ou intercetadas na primeira fase de construção do conjunto do Arouca esta sexta-feira).

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Em termos de média de golos sofridos por jogo, os números históricos disparam para níveis ainda mais esmagadores: na melhor temporada, em 2004/05, teve uma média de 0,81 golos sofridos por jogo (30 em 37 partidas); agora, com 11 tentos consentidos em 25 encontros, vai em… 0,46.

Contratado no verão de 2015, Casillas foi um dos maiores reforços de sempre do futebol português: além de campeão do Mundo e bicampeão da Europa de seleções, o guarda-redes somava 18 títulos pelo Real Madrid, entre os quais três Ligas dos Campeões, um Mundial de Clubes ou uma Taça Intercontinental. Só ainda não ganhou qualquer troféu pelo FC Porto. Mas, com números destes, pode ser uma questão de tempo.

A título de curiosidade, o recorde chegou também numa semana particularmente complicada para Iker Casillas, que se deslocou a Espanha para o funeral do avô materno, Mariano Fernández.