José Sócrates vai ser acusado pelo Ministério Público (MP) dos crimes que estiveram na origem da sua detenção e constituição de arguido na Operação Marquês em 2014: corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal.

De acordo com o Expresso, o ex-primeiro-ministro vai ser interrogado uma última vez na próxima semana, antes de ser conhecido o despacho de encerramento de inquérito no decorrer da próxima semana. A SIC avança que o interrogatório a José Sócrates vai acontecer na segunda-feira.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou este sábado que José Sócrates será interrogado na segunda-feira à tarde no inquérito “Operação Marquês” e que o empresário Carlos Santos Silva foi inquirido na sexta-feira. “Estão, ainda, previstos interrogatórios de outros arguidos no decurso da próxima semana”, adianta a PGR, num esclarecimento enviado à agência Lusa.

Ao Expresso, fonte anónima assegura que as provas obtidas pelos oito investigadores deste processo são “robustas”. Ao todo, calculam que o ex-primeiro-ministro tenha recebido 23 milhões de euros, que estariam depositados em contas suíças de Carlos Santos Silva, seu amigo e alegado testa-de-ferro.

Testa-de-ferro de Sócrates terá recebido mais 3 milhões de euros do GES por conta da PT

O prazo limite para ser conhecida a acusação é a próxima sexta-feira, dia 17 de março. Até lá, deverá ser feita uma nova ronda de interrogatórios para os arguidos serem confrontados com novos indícios. No caso de José Sócrates, esses indícios dizem respeito a alegados favorecimentos concedidos ao Grupo Espírito Santo (GES) nos seguintes negócios da Portugal Telecom (PT):

  • Oferta de Aquisição Pública (OPA) da Sonae à Portugal Telecom (PT) em 2007;
  • Cisão da PT Multimédia que levou à entrega de ações ao GES avaliadas em mais de 160 milhões de euros;
  • Negociações para a fusão entre a PT e a operadora brasileira Telemar em 2007;
  • Compra de uma participação minoritária na operadora Oi/Telemar em 2010.

Além do antigo primeiro-ministro, também deverá ser ouvida a sua ex-mulher, Sofia Fava. O Expresso avança que o interrogatório está marcado para 15 de março. Também Armando Vara deverá ser chamados ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal.

Em comunicado emitido na sexta-feira ao final da tarde, a defesa de José Sócrates antecipou-se ao interrogatório do ex-primeiro-ministro para afirmar que as “novas ‘suspeitas'” sobre a PT “são infames”, representam “insultos” e assentam “em novas falsidades”. Os advogados João Araújo e Pedro Delille afirmam que “em momento algum foi confrontado” Sócrates foi confrontado com as mesmas. O que deverá acontecer na próxima semana.

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Araújo e Delille contestam desde sempre a tese do MP de que Carlos Santos Silva seja um testa-de-ferro de José Sócrates e reafirmaram esta sexta-feira no seu comunicado que Sócrates “nunca teve dinheiro oculto em conta na Suíça, ou em qualquer outro lugar, nunca recebeu luvas de ninguém, nunca foi corrompido”. Sobre o MP, disseram que este está “sem factos ou provas que [sustentem] as imputações que lhe serviram para prender José Sócrates”.