Um, dois, três, quatro, quase cinco – maldito guarda-redes. Bas Dost é hoje o homem, Bas Dost será amanhã a capa. De um, dois, três jornais pelo menos (não vamos aos quatro e cinco porque há sempre qualquer coisa a rebentar na sociedade, na política ou na economia portuguesa, mas esperemos para ver). Não é todos os dias que se marcam quatro golos num jogo da Primeira Liga, muito menos quando se falha a oportunidade de um quinto em período de descontos e a uma distância tão pequena de 11 metros (Cláudio Ramos defendeu a grande penalidade). Mas não é agora. Sobretudo quando se fala de Sporting. Para Peyroteo, isso seria “peanuts”.

O gigante holandês apontou o primeiro poker nos leões e o terceiro da carreira. É um feito. Peyroteo, que jogou de verde e branco entre 1937 e 1949, conseguiu essa proeza em 18 ocasiões (não apenas em jogos de Campeonato Nacional mas também de Campeonato de Portugal e de Lisboa e Taça de Portugal, as provas à época). Não é engano, foram mesmo 18. Afinal, estamos a falar de alguém que terminou a carreira com mais de 500 golos. Mas elevemos ainda mais a fasquia: Dost marcou uma vez quatro golos, o internacional português apontou uma vez… nove golos (14-0 com o Leça, com golos aos 3’, 10’, 23’, 38’, 47’, 50’, 60’, 80’ e 88’). Impressionante.

Mas voltemos à realidade do nosso século, neste caso literalmente: esta foi apenas a terceira vez que um jogador do Sporting conseguiu marcar quatro golos, depois de já ter havido um herói improvável (Bueno, que marcou quatro golos na última meia hora da vitória por 5-1 dos leões frente ao Nacional) e um suspeito do costume (Liedson, nesse ano de 2010 frente ao Belenenses). Aliás, essas foram as últimas ocasiões em que alguém apontou quatro golos e para encontrar o antecessor temos de recuar ao avançado Barata, em 2002, pelo Sp. Braga.

O Sporting já tinha registado um passado rico neste particular dos jogadores que fazem quatro golos num jogo. No tempo em que se marcava como quem bebe um copo com água, Soeiro foi o primeiro a alcançar a proeza pelos leões, seguindo-se depois de Peyroteo nomes como Cruz, Mourão, Albano, Jesus Correia, Travassos ou Vasques. Mais tarde, ficariam também eternizados os pokers de Lourenço e Manuel Fernanddes nas goleadas ao rival Benfica em 1965 e 1986, respetivamente.