Assunção Cristas

Conselho de Ministros nunca discutiu “com profundidade” o BES, diz Assunção Cristas

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Assunção Cristas diz que houve apenas "referências" ao BES, por Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque, mas que nunca o tema foi discutido "com profundidade".

A líder do CDS-PP, Assunção Cristas, garante que no Conselho de Ministros nunca se discutiu “com profundidade” os possíveis problemas no Banco Espírito Santo (BES). Do que Cristas se recorda, apenas houve uma referência por Passos Coelho à questão dos 12 mil milhões de euros da troika que António José Seguro queria usar no Estado, mas que o antigo primeiro-ministro não quis usar porque não se sabia se poderia haver problemas no BES, o único grande banco que não tinha pedido recapitalização no âmbito desses 12 mil milhões da troika.

Não posso garantir tudo porque, de vez em quando, havia um ou outro Conselho de Ministros em que eu não estava, por razões de representação do ministério. Mas discussão em profundidade do problema do BES, das soluções, das alternativas, das hipóteses, isso nunca aconteceu”

O esclarecimento, semelhante ao que Cristas já tinha dito no passado, surge numa entrevista ao Público, por ocasião do primeiro aniversário à frente do CDS-PP. Assunção Cristas revela, contudo, que na altura da resolução do BES “estava no início de férias e recebi um telefonema da ministra das Finanças a dizer: “Assunção, por favor vai ao teu email e dá o OK, porque isto é muito urgente, o Banco de Portugal tomou esta decisão e temos de aprovar um decreto-lei.”

“Como pode imaginar, de férias e à distância e sem conhecer os dossiês, a única coisa que podemos fazer é confiar e dizer: Sim senhora, somos solidários, isso é para fazer, damos o OK. Mas não houve discussão nem pensámos em alternativas possíveis — isto é o melhor ou não —, houve confiança no Banco de Portugal, que tomou uma determinada decisão.

A líder do CDS-PP sublinha que não foi só no BES que o partido não teve intervenção direta, em termos de discussão no Conselho de Ministros. “O primeiro-ministro sempre teve uma visão que é esta: a banca e o pilar financeiro do resgate eram tratados pelo Banco de Portugal (BdP), que tinha as funções de supervisor independente, e o Governo não deveria meter-se nessas questões. Esta foi sempre a visão do primeiro-ministro. Portanto, o Conselho de Ministros nunca foi envolvido nas questões da banca”, garante Assunção Cristas.

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