João Araújo, um dos advogados de José Sócrates, denunciou esta terça-feira que o interrogatório feito ontem ao antigo primeiro-ministro foi “assente no mais absoluto vazio” e que este “processo termina como começou: sem factos, sem provas.” A defesa de Sócrates tem agora uma nova linha de argumentação: o inquérito terminou à meia-noite de dia 13 de março e tudo o que aconteceu a partir daí é “ilegal.” Isto porque é nessa data que termina a prorrogação de 180 dias que foi dada pela procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, a 14 de setembro de 2016.

João Araújo — acompanhado do outro advogado de Sócrates, Pedro Delille — criticou todas as “sucessivas prorrogações” da investigação, que, segundo a defesa de Sócrates, fazem com que o inquérito a partir de agora seja “ilegal”. “Talvez o Ministério Público pense que isto é o da Joana mas não é, é o da lei”, disse João Araújo em conferência de imprensa, alegando mesmo que o Ministério Público ou “fez mal as contas” ou não deu a atenção devida ao prazo da última prorrogação feita por Joana Marques Vidal.

O advogado de José Sócrates exigiu à Procuradora-Geral da República que a defesa seja “notificada do encerramento do inquérito“. João Araújo diz que desconhece o que se está a passar, mas adverte que se houve buscas ou quaisquer outras diligências desde a meia-noite de dia 13, “é ilegal, é nulo”, já que “o que está fora do inquérito, está fora do inquérito”.

O advogado alertou ainda que, ao contrário do que era esperado, “não foi apresentada nenhuma lista com pessoas que receberam luvas da PT, que era o grande ás de trunfo. Não apareceu nem o ás, nem o rei, nem o marquês. Só duques”.

O advogado de José Sócrates desmentiu ainda a notícia de que o antigo primeiro-ministro tinha sido confrontado — durante o interrogatório de segunda-feira com o procurador Rosário Teixeira — com uma escuta em que dava instruções à Caixa Geral de Depósitos. Mais tarde acabaria por admitir que foi referida uma escuta no interrogatório que “não tem nada a ver com José Sócrates“, mas é referente à Caixa Geral de Depósitos.

Anunciando que vão “reclamar para o juiz de instrução” se o inquérito não for encerrado já, João Araújo e Pedro Delille dizem que a decisão do Ministério Público está “viciada”, mas que não forma forma possível de a sanar, a não ser “evitar que isto continue”. “O que está para trás não pode ser sanável, o ano que passou, os meses da prisão não podem ser sanáveis, mas a única forma que têm de tentar sanar isto é estancar, evitar que este abuso continue”, disseram perante os jornalistas.