O Governo comprometeu-se a repor, a partir de abril, metade do pagamento das horas extraordinárias a todos os profissionais de saúde e a negociar para que a reposição total ocorra até ao fim do ano. Esta foi uma das garantias dadas pelo ministro da saúde, esta terça-feira, aos sindicatos médicos, de acordo com o presidente do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha.

Hoje foi assumido o compromisso, que nós consideramos positivo, de que esse pagamento seja feito a todos os médicos, enfermeiros e administrativos que façam horas extra em todos os serviços. E até 31 de dezembro de 2017 repor na totalidade. A proposta é ir fazendo a reposição”, detalhou o sindicalista ao Observador.

Este compromisso traduz um recuo por parte da equipa ministerial, uma vez que no despacho de execução orçamental, publicado no final da semana passada, o Governo definiu que os profissionais de saúde recuperariam metade do valor (25% dos 50%) a partir de 1 de abril, mas que as horas extra só seriam pagas na totalidade no “segundo semestre de 2017″, dependendo dos “resultados de negociação com os sindicatos”. Além disso, essa reposição abrangeria apenas profissionais de saúde que estivessem “em presença física para assegurar o funcionamento dos serviços de urgência externa que constituam pontos da Rede de Urgência/Emergência, bem como nas unidades de cuidados intensivos”.

Jorge Roque da Cunha considera, ainda assim, a proposta “insuficiente” e afirma “que a injustiça apesar de mitigada não está ainda ultrapassada”.

Médicos ameaçam com greve caso Governo não reponha pagamento das horas extra

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Quanto à ameaça de greve, deixada na sexta-feira, o sindicalista respondeu que “não está fora da mesa até porque as questões ainda não estão ultrapassadas”, mas reitera que “só em última situação”.

“A greve para os médicos é uma coisa muito complicada de fazer. iremos esgotar todas as capacidades possíveis e imagináveis de diálogo.”