Janusz Korwin-Mikke, o eurodeputado polaco que considerou que as mulheres deviam receber salários inferiores aos homens porque eram mais pequenas e fracas, vai ser sancionado, com uma “severidade sem precedentes”, pelas suas declarações no Parlamento Europeu (PE).

De acordo com um comunicado emitido esta terça-feira, o presidente do PE, Antonio Tajani, decidiu aplicar a Mikke sanções proporcionais “à gravidade” das suas declarações”, que incluem a perda das ajudas de custo diárias durante 30 dias, a suspensão durante dez dias da sua participação em todas as atividades como deputado e a proibição de representar o PE durante um ano.

“Não irei tolerar este tipo de comportamento, em particular de quem deveria, com dignidade, representar os cidadãos europeus”, afirmou Tajani durante a sessão plenária, em Estrasburgo, onde foi votada a aplicação das sanções. “Abri imediatamente uma investigação, que foi concluída rapidamente, e imponho agora sanções apropriadas à gravidade da ofensa.”

O presidente do PE ordenou a abertura de uma investigação no início deste mês de março depois de o eurodeputado polaco, fundador do partido de extrema-direita e eurocético Coligação para a Renovação da República, ter defendido durante sessão plenária do parlamento sobre o problema da desigualdade salarial na Europa — que foi presidida por uma mulher — que as mulheres “devem ganhar menos” do que os homens porque são “mais fracas, mais pequenas e menos inteligentes”.

Para justificar as suas declarações, Janusz Korwin-Mikke, eurodeputado desde 2014, questionou a audiência se sabia “quantas mulheres estão no top 100 dos melhores jogadores de xadrês”. “Eu digo-vos: nenhuma!”, declarou.

Durante a sessão, o presidente do PE pediu ainda desculpa a todos os que se sentiram ofendidas pelas declarações de Janusz Korwin-Mikke, sublinhando que não irá tolerar comportamentos semelhantes.