A agressividade com que trata os jornalistas na Casa Branca já é uma imagem de marca de Sean Spicer, o porta-voz de Donald Trump, desde a tomada de posse do presidente norte-americano. Mas a atitude hostil terá agora transposto a sala de imprensa e chegado à rua e ao contacto com os cidadãos.

Spicer foi abordado por uma mulher numa loja da Apple, em Washington, e depois de questionado (de forma insistente e até provocadora) sobre as políticas de Trump ou a relação do Presidente com a Rússia, o porta-voz respondeu-lhe apenas: “Que grande país este é, que até lhe permite estar cá!”

A declaração foi gravada em vídeo e, depois de divulgada, interpretada como racista.

A Casa Branca não se pronunciou ainda sobre o assunto. Mas a pergunta que por ora se coloca é: quem é a mulher que o confrontou com tais questões? A protagonista em causa é Shree Chauhan, de 33 anos, é norte-americana, natural de Nova Iorque, mas com ascendência indiana. Ao cruzar-se com Spicer, ativou o Periscope no telemóvel e começou a emitir em direto a conversa com o porta-voz da Casa Branca.

Como é que se sente trabalhando para um fascista? Deu uma ajudinha com as coisas da Rússia? Também é criminoso? É traidor como o presidente?”, atirou de chofre Shree.

Depois da resposta única de Sean Spicer, a mulher – que trabalha numa organização não governamental em Washington -, declarou na sua conta na Medium: “Ainda estou espantada com a ousadia de ter a minha cidadania ameaçada diante das câmaras”. E prosseguiu: “Muitos destes apoiantes de Trump olham para o tom acastanhado da minha pele e questionam a minha cidadania. Questionam-se se estou legal. Dizem-me para deixar o país. Dizem para voltar para o sítio de onde vim. Ao que eu respondo com sarcasmo: Volto para onde, para Nova Iorque?”