Uma “grande explosão” no Monte Etna, na ilha italiana de Sicília, provocou pelo menos dez feridos esta quinta-feira. Entre os feridos está uma equipa de jornalistas da BBC e uma mulher de 78 anos atingida por “rocha fundida e vapores”. Nenhum dos feridos está em estado grave.

Esta é a terceira explosão em três semanas de atividade vulcânica, mas pode ser uma das maiores dos últimos 30 anos.

O Monte Etna é o maior vulcão ativo da Europa e um dos mais perigosos do mundo. Está associado à Faixa Mediterrânica, uma das três regiões do planeta onde o vulcanismo é muito ativo — as outras são o Anel de Fogo do Pacífico e a Dorsal Atlântica. Embora esteja constantemente em erupção, tem momentos mais violentos onde lança anualmente lava suficiente para encher a Willis Tower de Chicago: são os chamados paroxismos, quando está na fase mais ativa da atividade. Tem quatro estratovulcões e quatro crateras a eles associados: dois deles são a Bocca Nuova e Voragine (os principais); os outros dois são a cratera Nordeste e a Sudeste, a maior recente e criada em 1978. O tipo de erupção mais comum nestas crateras são estrambolianas, ou seja, são explosivas e capazes de ejetar cinzas, fontes de lava, bagacinas incadescentes (piroclastos de baixa densidade com entre 2 e 64 milímetros) e bombas vulcânicas (piroclastos com mais de 64 milímetros de comprimento).

As regiões em redor do Monte Etna são muito férteis e propícios à agricultura e ao gado, algo comum às zonas vulcânicas como os Açores. Este vulcão não costuma ser perigoso, embora haja um longo registo de atividade mais agressiva para as populações. A primeira surge em 425 a.C. e foi descrita por Diodorus Siculus, historiador grego. Mais tarde, o poeta Virgílio (autor de “Eneida”) escreveu sobre outra erupção. Uma das mais agressivas parece ter acontecido a 122 a.C.: há registos de uma erupção que terá bloqueado o Sol durante dias e dificultado a vida naquela região italiana. A situação foi tão crítica que os moradores ficaram isentos de impostos para poderem reconstruir as suas casas e terrenos durante 10 anos. Algo semelhante terá acontecido em 40, 1169 e 1185.

Em 1669, pelo menos 1.500 pessoas na sequência de um terramoto com hipocentro mesmo debaixo do Monte Etna que destruiu a cidade de Nicoli. As pessoas construiram buracos em redor da cidade para evitar que a lava deslizasse até aos seus terrenos. No entanto, a lava acabou por encaminhar-se para uma cidade vizinha, Paterno, destruindo também a cidade de Catania.

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