O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, afirmou esta quinta-feira que o presidente norte-americano mantém as acusações de que a administração Obama ordenou escutas ao antigo gabinete de Donald Trump durante a campanha eleitoral. Isto, depois de uma comissão do Senado norte-americano, composta por republicanos e democratas, ter concluído que não há quaisquer provas de escutas, feitas antes ou depois das eleições.

“Com base na informação de que dispomos, não temos indicação de que a Trump Tower foi alvo de vigilância por elementos do governo dos Estados Unidos antes ou depois das eleições de 2016”, concluíram o presidente da Comissão de Intelligence (Informações) do senado norte-americano, o republicano Richard Burr, e o vice-presidente do mesmo organismo, o democrata Mark Warner, num comunicado conjunto divulgado esta quinta-feira. Mas não é o que pensa Donald Trump, que mantém as acusações inicialmente feitas via Twitter, a 4 de março.

Foi nesse dia, numa série de publicações feitas no Twitter por volta das 5h da manhã (hora de Washington D.C), que o presidente norte-americano classificou Barack Obama como “um tipo mau (ou doente)”, alegando que tinha acabado de descobrir que a administração de Obama tinha ordenado escutas no gabinete de Trump na Trump Tower nas vésperas da ida às urnas.

No seguimento do comunicado da Comissão de Intelligence do senado norte-americano, de maioria republicana, a Casa Branca apressou-se a reagir, com Sean Spicer a comunicar aos jornalistas que Donald Trump “mantinha” tudo o que disse. Foi durante o briefing diário com os jornalistas que Spicer foi questionado até que ponto Trump continuava a acreditar na tese das escutas. “Ele mantém o que disse”, limitou-se a dizer o porta-voz, criticando depois a forma como os jornalistas trataram o caso.

Numa entrevista à Fox News esta quarta-feira, Trump explicou que baseou as suas acusações iniciais em relatórios sobre escutas, dizendo que informação que será revelada em breve irá provar que tinha razão. “Vão encontrar muitas coisas interessantes nas próximas duas semanas”, disse. Mas Sean Spicer recusou-se a dizer aos jornalistas se Trump se baseava ou não em informação altamente classificada para sustentar a sua tese, dizendo que há “material disponível” que indica que “alguma coisa se passava durante a eleição”.