A empresa brasileira BRF tentou exportar produtos contaminados com a bactéria salmonela para a Europa, segundo conversas intercetadas no âmbito da operação “Carne Fraca” sobre a venda ilegal de carne, divulgaram esta sexta-feira as autoridades judiciais.

Segundo informações do delegado Maurício Moscardi Grillo, da Polícia Federal, um alto funcionário da BRF foi gravado a tentar desviar contentores de produtos contaminados que foram barrados em Itália.

“Um alto executivo desta companhia [BRF], inconformado com a fiscalização em sete contentores que aparentemente tinham produtos com salmonela, que estavam a ser enviados para Itália e Espanha, tentou desviar este carregamento para o porto de Roterdão, na Holanda, porque estava a ter dificuldade em entrar com esta mercadoria contaminada na Europa”, contou o delegado, em conferência de imprensa sobre a operação “Carne Fraca”.

Segundo a mesma fonte, a bactéria salmonela foi identificada nos contentores da BRF, mas a fábrica da empresa de onde as carnes exportadas eram oriundas continuou a funcionar normalmente por interferência de fiscais do Ministério da Agricultura, que recebiam ‘luvas’ para proteger a empresa.

Numa conversa gravada pela polícia brasileira, um diretor da BRF chamado André Baldissera e um interlocutor não identificado falam sobre infrações repetitivas identificadas pela fiscalização italiana, que poderiam suspender as exportações do grupo para a Europa.

Esta sexta-feira de manhã, a polícia federal do Brasil deu início à operação “Carne Fraca” para recolher provas contra uma organização criminosa liderada por fiscais, executivos e intermediários que estariam a vender carne ilegal e até mesmo produtos estragados no país e para o exterior. Segundo as investigações, os agentes públicos, utilizando-se do poder de fiscalização do cargo, recebiam ‘luvas’ para facilitar a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva.

Aproximadamente 1.100 policiais federais cumpriram 309 mandados judiciais, sendo 27 de prisão preventiva (sem tempo para a libertação do acusado), 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva (quando o acusado é preso e obrigado a depor para depois ser libertado) e 194 de busca e apreensão em residências e locais de trabalho dos investigados e em empresas alegadamente ligadas ao suposto grupo criminoso.