Corrupção passiva para a prática de atos contrários aos deveres do cargo, fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais, falsificação, recebimento indevido de vantagem e tráfico de influências. Estes são os seis crimes, de acordo com a notícia que o Diário de Notícias avança hoje, com que o antigo primeiro-ministro foi confrontado no último interrogatório, no DCIAP, esta semana.

Confrontado com as novas suspeitas durante o último interrogatório de seis horas, no âmbito da Operação Marquês, José Sócrates terá negado tudo perante os procuradores Rosário Teixeira, Filipe Preces e Filipe Costa e do inspetor tributário Paulo Silva, conta o DN. Um interrogatório que decorreu no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), onde os investigadores da “Operação Marquês” entregaram à defesa um documento com 103 páginas de imputações.

O jornal conta que o documento está dividido em blocos, cada um dedicado às diferentes suspeitas associadas ao antigo governante. No primeiro caso, José Sócrates é suspeito de ter beneficiado o Grupo Lena em três situações: na adjudicação de obras na Parque Escolar, no favorecimento durante o concurso ao TGV e na influência de diplomatas portugueses para benefício dos interesses do grupo empresarial. Uma das contrapartidas, alegam, o Grupo Lena terá feito chegar a José Sócrates 2,8 milhões de euros através do seu amigo Carlos Santos Silva.

As suspeitas passam ainda pelo empreendimento turístico de Vale do Lobo, em que Sócrates e Armando Vara terão feito contactos para a concessão de um crédito de 60 milhões de euros da CGD à sociedade proprietária do empreendimento algarvio. No caso das ligações ao BES-PT, as suspeitas que já se conheciam foram reforçadas no mesmo interrogatório, conta o DN.

Os procuradores acreditam que, por estas práticas, José Sócrates terá beneficiado com um total de 23 milhões de euros, que terão acabado em contas na Suíça, em nome do amigo Carlos Santos Silva. José Sócrates, uma vez mais, negou tudo.

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