A Polícia Judiciária (PJ) analisou 43 casos de homicídio conjugal em Lisboa entre 2010 e 2015 e concluiu que 13 tinham apresentado queixa às autoridades antes de morrerem. Mais de metade das vítimas morreu quando já estava em processo de separação do companheiro. Os dados, que fazem parte do estudo “Homicídio, femicídio e stalking no contexto das relações de intimidade” foram divulgados na edição desta sexta-feira do Diário de Notícias.

Na primeira conclusão, constatou-se que 46,5% dos homicidas tinha acesso a armas de fogo e que 37,2% tinha a armas brancas. Na grande maioria dos casos (82,1%), as vítimas já tinham sido alvo de violência psicológica, sendo que 64,3% já tinha sido ameaçada de morte.

Iris Almeida, psicóloga na equipa do Instituto Superior de Ciências da Saúde do Egas Moniz, explicou ao Diário de Notícias que as medidas de proteção às vítimas e as medidas de coação aos agressores estão a falhar e que se o afastamento do agressor não for controlado através de pulseira eletrónica ou vigilância não é eficaz.

O estudo está a ser desenvolvido pela Polícia Judiciária em conjunto com investigadores da Universidade do Minho, do Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz e com o Ministério Público. Apesar de a primeira conclusão incidir apenas na zona da Grande Lisboa, a ideia é abranger todo o território nacional dentro de um ano.