Credores internacionais da operadora brasileira Oi solicitaram esta terça-feira ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no Brasil, uma audiência de conciliação com os representantes da operadora.

Representados pela empresa Moelis & Company, estes credores frisaram, num comunicado divulgado esta terça-feira à imprensa, que o pedido acontece nove meses depois de a Oi ter entrado em recuperação judicial e três meses desde a apresentação do plano alternativo de recuperação judicial porque a operadora brasileira “continua evitando discussões substantivas sobre os aspetos-chave para qualquer reestruturação financeira e operacional bem-sucedida”.

Estes credores internacionais detêm aproximadamente 3,5 mil milhões de dólares (3,2 mil milhões de euros na cotação e esta terça-feira) em títulos de dívidas emitidos pela empresa no exterior. Eles afirmam que a audiência de conciliação terá o objetivo de fazer com que a Oi “discuta abertamente aspetos-chave de sua reestruturação, incluindo o papel que os acionistas e seus representantes desempenharam e continuam a desempenhar em relação à reestruturação da companhia”.

“Esperamos que a convocação de uma audiência de conciliação mediada pelo Tribunal seja crucial para promover um diálogo mais aberto e efetivo entre a companhia e todos os credores, a fim de encontrar uma solução consensual para a reestruturação operacional, industrial e financeira da companhia”, adianta o comunicado.

Os credores frisaram ainda que continuam trabalhando para criar um plano que ofereça a melhor oportunidade para a empresa e que “a falta de progresso e engajamento que temos testemunhado é um sinal muito preocupante para os investidores internacionais”.

“A recuperação judicial da Oi é a maior reestruturação do setor privado na história da América Latina e se os credores forem tratados injustamente ou a Companhia acabe em liquidação porque os seus controladores, com o apoio dos membros do conselho de administração, procuram promover os seus interesses em detrimento do interesse de todas as outras partes interessadas, o custo para o Brasil pode ser enorme”, conclui o comunicado.

A operadora de telecomunicações brasileira Oi entrou com um pedido de recuperação judicial em junho do ano passado porque não conseguiu negociar um total de 65,4 mil milhões de reais (19,5 mil milhões de euros) em dívidas. A empresa portuguesa Pharol (antiga PT SGPS) detém 27% as ações da Oi.