O ministro do Interior francês, Bruno Le Roux, demitiu-se após a polémica da contratação das duas filhas adolescentes para cargos no Estado. As duas raparigas terão assinado contratos referentes a trabalhos estatais quando ainda tinham entre 15 e 16 anos numa altura em que o pai, agora com 51 anos, era deputado do Partido Socialista francês. Desde então, passados cinco anos, as duas raparigas já assinaram 24 contratos e receberam um total de 55 mil euros. O novo ministro do Inteiror será Matthias Flek.

A notícia foi avançada pelo TF1 no programa Quotidien. Confrontado pelos jornalistas, Bruno Le Roux confirmou a contratação das filhas quando as raparigas estavam de férias ou em pausas escolares. Mas sublinhou que o dinheiro ganho pelas filhas era para elas mesmas e que não se trata de um caso de nepotismo: “Nada de misturas. Estamos a falar de empregos de verão com um parlamentar”. Mas esta versão é contrariada pelo canal de televisão: um dos contratos assinado pela filha mais velha era referente ao período entre 10 de junho e 9 de setembro de 2013, altura em que a rapariga estava na Bélgica a trabalhar como conselheira de vendas numa loja Yves Rocher. Essa informação estava no perfil LinkdIn da filha de La Roux, que entretanto foi eliminado.

A justificação dada por Bruno Le Roux não foi suficiente para o manter no cargo. O ex-ministro do Interior disse que estes contratos diziam respeito a “funções específicas que foram cumpridas” e a “missões que podiam ser efetuadas em horários alargados ou até à distância” que não obrigavam à presença física das raparigas nas instituições: “Consistem em funções que tanto podem ser desempenhadas na sua circunscrição como à distância”. No entanto, o primeiro-ministro, Bernard Cazeneuve já tinha ordenado uma reunião com Le Roux esta tarde para conversar sobre o assunto.