Obrigado por ser nosso assinante. Não se esqueça de subscrever a nossa Newsletter exclusiva dos bastidores.

Apenas dez semanas depois de lhe ter sido diagnosticado o cancro de mama, Rebecca Ellison morreu. Tinha 34 anos. Rio Ferdinand tinha 36 mas, revela no documentário de 60 minutos que hoje, terça-feira, a BBC emite, não sabia sequer marcar uma consulta no médico, quanto mais gerir a casa de família e educar e cuidar dos três filhos, então com 4, 6 e 9 anos.

O canal britânico partilhou um trailer do documentário que emite hoje:

No início, refugiou-se no álcool: “Saía da cama a meio da noite e bebia, bebi muito nos primeiros três ou quatro meses”, revela em “Rio Ferdinand: Being Mum and Dad”. Nunca bebeu tanto que não se conseguisse levantar de manhã para preparar Lorenz, agora com 11 anos, Tate, 8, e Tia, 6, para os levar à escola, mas até essas tarefas eram um quebra-cabeças para o ex-internacional inglês, histórico defesa do Manchester United.

“Costumava acordar, vestir-me, tomar o pequeno-almoço com eles, e depois levava-os e ia treinar, achava que estava a fazer a minha parte. Mas essa é a parte fácil… Onde estão os sapatos deles? Onde estão as roupas? E as mochilas? Nós, homens, somos uns ignorantes. As mulheres cuidam da família e da casa e julgamos que isso não é um trabalho. É um trabalho muito duro e importante.”

Longe dos relvados e sem Rebecca, Ferdinand teve de mastigar a dor. E a culpa, que o fez pensar que devia ter sido ele a morrer, em vez dela. E também de aprender a ser pai e mãe sozinho (o título do documentário), mesmo quando achava que nunca ia conseguir ser tão bom com os filhos como a mulher era. “Ela costumava fazer-lhes as camas de uma certa maneira e, quando eles me disseram, fiquei a sentir-me mesmo mal. Pensei: ‘O que quer que eu faça nunca vai ser bom o suficiente’.”

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Hoje, o ex-futebolista assume que tem sorte por ter Lorenz, Tate e Tia, que todos os dias o obrigam a sair da cama e dos seus “lugares escuros”. Mas também admite que no início tudo foi muito difícil. Muito graças ao desporto: “No futebol não levantas um dedo até entrares nas quatro linhas para jogar. Fazem-te tudo… E depois em casa, mesmo quando íamos de férias, a única coisa que tinha de fazer era a minha mala, a Rebecca tratava de tudo o resto. Até para ir ao médico era tipo, ‘Como é que faço para marcar uma consulta?’, só tinha ido aos médicos dos clubes, não fazia mesmo a mínima ideia.”