A Caixa Geral de Depósitos (CGD) disse esta quarta-feira, em comunicado, que os 120 investidores que estiveram presentes nas apresentações da emissão de dívida subordinada demonstraram “forte interesse na operação”, que se deverá realizar em breve.

O banco público divulgou através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que, nos últimos três dias, manteve encontros em Lisboa, Londres e Paris com cerca de 120 investidores institucionais, como fundos de investimento, fundos de pensões ou seguradoras, para promover a emissão de dívida subordinada e que estes “demonstraram profundo conhecimento acerca da CGD e do setor financeiro português, bem como um forte interesse na operação”.

Esta emissão de dívida (que conta para efeitos de capital) que será no valor de 500 milhões de euros faz parte do plano de recapitalização que a CGD está a executar e com que prevê aumentar o capital em cerca de 5000 milhões de euros.

A primeira fase do plano de recapitalização já foi executada, com a transferência, em janeiro, de ações da ParCaixa para a CGD no valor de 500 milhões de euros e da transformação em ações dos instrumentos de capital contingentes (os chamados CoCo’s) subscritos pelo Estado em 2012 (incluindo juros corridos e não pagos) no valor de 945 milhões de euros. A próxima fase do processo é a injeção pelo Estado de 2500 milhões de euros e a realização de uma emissão de dívida subordinada (que pode ser transformada em capital) num total de 930 milhões de euros, 500 milhões a curto prazo (nas próximas semanas) e o restante até 18 meses após a primeira emissão.

Em meados de fevereiro, o secretário de Estado das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, já tinha dito no Parlamento que a primeira parte da emissão de dívida deveria acontecer até final deste mês de março e assegurou que existiam “vários investidores interessados”. Em outubro passado, o mesmo governante tinha afirmado que acreditava que a emissão de dívida poderia ser feita com um juro abaixo dos 10%.

A CGD apresentou prejuízos históricos de 1859 milhões de euros em 2016, naquele que foi o sexto ano consecutivo de resultados negativos. A apresentação de contas do banco público aconteceu em 10 de março e foi a partir daí que a instituição começar a contactar os investidores (fazer ‘roadshows’) que possam vir a comprar essa dívida.

Esta dívida (que poderá ser usada para assumir perdas em caso de dificuldades futuras do banco) é dirigida exclusivamente a investidores institucionais, nomeadamente fundos de investimento e ‘hedge funds’, fundos de pensões e seguradoras, não podendo ser vendida a clientes do retalho.