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Restaurantes

Este homem vai pôr Lisboa e Porto a comer o melhor de Portugal

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Se uns são ativistas políticos ou ambientais, Rodrigo Meneses é ativista gastronómico. A sua mais recente missão? Levar os restaurantes que mais gosta de Norte a Sul a servir em Lisboa e no Porto.

Rodrigo Meneses é o grande mentor do evento "Mesas Bohemias" que ao longo dos próximos meses vai levar os seus restaurantes favoritos de todas as regiões do país a servir em Lisboa e no Porto.

© Tiago Pais / Observador

Autor
  • Tiago Pais

Está quase a fazer 40 anos, mas nisto da gastronomia tradicional Rodrigo Meneses ainda se considera “um puto”. E o entusiasmo que transparece quando fala do seu mais recente projeto justifica, em parte, a designação: Rodrigo parece, de facto, um puto, tal a forma como os olhos lhe brilham e os sorrisos se sucedem quando o assunto em cima da mesa é Mesas Bohemias, uma ideia que “já andava a incubar há muito tempo”, e que vai arrancar, finalmente, a 30 de março, em Lisboa.

O que é?

O conceito é relativamente simples: levar grandes restaurantes de todo o país — ou, como lhes chama, “verdadeiros bastiões da comida regional” — a servir, durante uns dias, em Lisboa e no Porto. “São sítios onde a comida é representativa de uma região, de um produto dessa região”, explica o foodie transmontano, radicado em Lisboa onde gere a Academia Time Out, uma escola de cozinha a funcionar dentro do Mercado da Ribeira. Os primeiros convidados já foram divulgados: o portuense Casa Inês, de Inês Diniz, instala-se em Lisboa de 30 de março a 2 de abril e o algarvio Noélia, de Noélia Jerónimo, faz o mesmo no Porto entre 6 e 9 de abril.

De 30 de março a 2 de abril, prova um pouco do Porto, sem sair de Lisboa. É isto que acontece quando os restaurantes trocam de cidade, com cerveja Bohemia. Reserva já o teu lugar à mesa: https://www.mesasbohemias.pt/eventos/casa-ines/

Posted by Bohemia on Monday, March 20, 2017

Como surgiu?

Rodrigo é um ex-publicitário cujo bichinho-carpinteiro criativo continua bem ativo. Ou seja, ideias não lhe faltam. Esta, conta, “já a tinha há muito tempo, talvez uns três, quatro anos.” Quando fez o programa “Gosto de Portugal”, no canal 24 Kitchen, percebeu “o desconhecimento que existe na maioria das pessoas fora de Lisboa e do Porto destes grandes bastiões.” Assim, meteu na cabeça que ainda haveria de levar os restaurantes do Sul ao Norte do país e vice-versa. “Porque as pessoas de Lisboa, por exemplo, mais facilmente viajam para Sul do que para o Norte. E porque para alguém do Porto ir de propósito ao Algarve para comer é impensável. É o materializar do ditado: se Maomé não vai à montanha, a montanha vem a Maomé.”

Para concretizar a ideia foi essencial o envolvimento da agência de publicidade J. Walter Thompson. “O João Oliveira [diretor criativo] chamou-me um dia para falarmos de uma outra coisa, mas acabámos a bater umas bolas sobre este assunto.” O apoio de um dos clientes da agência, as cervejas Bohemia, da Sagres — daí o nome do evento, Mesas Bohemias — permitiu operacionalizar o evento. Que não é simples nem barato: “Só para se ter uma ideia, para um dos pratos da Noélia, o polvo trapalhão, vão 90 polvos do Algarve para o Porto”, explica Rodrigo.

Estar no Algarve, pressupõe uma visita ao Restaurante Noélia, e de 6 a 9 de abril, estar no Porto, também! É isto que acontece quando os restaurantes trocam de cidade, com cerveja Bohemia. Reserva já o teu lugar à mesa: https://www.mesasbohemias.pt/eventos/noelia/

Posted by Bohemia on Monday, March 20, 2017

Onde vai acontecer?

O objetivo de Rodrigo Meneses foi encontrar restaurantes de acolhimento — chamemos-lhes assim — que tivessem alguma coisa a ver com os convidados. “Foi mais uma maluquice minha”, brinca. Assim, em Lisboa, o Casa Inês vai ser replicado no Dom Afonso o Gordo, um restaurante especializado em leitão à Bairrada, que também tem paredes de pedra e onde será possível obter um ambiente de sala semelhante ao do portuense. Já o Noélia, por vir de Cabanas de Tavira, “tinha de ficar em frente ao mar”. Assim, vai instalar-se no BH Foz, que fica num edifício histórico da Avenida do Brasil, na Foz do Douro.

O que se vai comer?

O menu foi escolhido, claro, pelo anfitrião em conjunto com as chefes. “Ajudei-as um bocadinho, fui influenciador. Há pratos que são emblemáticos que tínhamos de trazer“, justifica Rodrigo. É o caso dos filetes de polvo com arroz do mesmo, da aletria ou das rabanadas de Inês Diniz — que também vai fazer tripas à moda do Porto — ou da canja de amêijoas, do polvo trapalhão ou da torta de alfarroba de Noélia. “Todos os pratos têm histórias para ser contadas”, afirma Rodrigo. E é ele que as vai contar, já que vai estar presente em todos os jantares no papel de mestre de cerimónias.

Quanto vai custar?

O evento foi pensado numa lógica pouco habitual neste meio: adquirem-se bilhetes previamente (através do site TicketLine) que incluem a degustação dos pratos e das cervejas Bohemia que os acompanham. Custam 30€, um preço bastante generoso — tendo em conta que são menus de seis pratos –, só permitido, mais uma vez, pelo patrocínio em questão: “Esse valor limita-se a cobrir o food cost, garante Rodrigo.

Este é o Dom Afonso o Gordo, o restaurante lisboeta que vai receber o Casa Inês. (foto: © Tiago Pais / Observador)

E o que se segue?

Sem avançar nomes, Rodrigo levanta um bocadinho o véu do que vai acontecer nos próximos meses: “Vou tentar ter todas as regiões do país representadas, incluindo uma das ilhas. A ideia seria, por exemplo, trazer os restaurantes de Trás-Os Montes, Minho e Beiras a Lisboa e os do Alentejo, Algarve, da região de Lisboa e Setúbal, no Porto.” A periodicidade ainda está por definir, mas em princípio os jantares acontecerão mensalmente e de forma alternada em Lisboa e no Porto. E sempre com propostas originais, que dificilmente se encontram em cada uma dessas cidades: “Sei que vou arriscar um bocadinho, mas como tenho liberdade criativa para trazer o que quero, vou tentar que venham pratos representativos de cada região, seja pelo produto, pela história ou por uma receita marcada da zona. Quero dar ao urbano a possibilidade de comer o original, tal como ele é.”

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