A ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, vai a julgamento por fraude contra o Estado argentino no caso do chamado ‘dólar futuro’, uma decisão para embelezar as contas públicas durante o período eleitoral e que vai acabar por custar cinco mil milhões de dólares a um já magro erário público.

Depois de gerir com mão de ferro os destinos da Argentina durante oito anos, Cristina Kirchner tem pela frente o que pode vir a ser um largo calvário legal.

O primeiro desses processos que irá a julgamento será o do caso do ‘dólar futuro’ uma decisão extremamente controversa tomada pelo banco central, por ordem da então presidente, de vender contratos que implicavam a compra abaixo do preço de mercado do dólar na Argentina a grandes investidores, mas com a obrigação do Estado de os comprar de volta aos mesmos investidores com um retorno de 50%.

O esquema permitia ao banco central aumentar de forma temporária as reservas de moeda estrangeira, que podiam ser usadas para tentar estabilizar o peso, mas em compensação, pouco tempo depois, o prejuízo acabaria por ser significativo. O banco central vendeu contratos de futuros por 10,6 pesos o dólar, numa altura em que a taxa de câmbio estava nos 14/15 pesos por dólar. O valor artificialmente baixo dos contratos acabaria por ter custos consideráveis para o Estado mais tarde, depois da planeada desvalorização do peso pelo novo presidente, tendo o banco central agora de pagar 15,6 pesos por dólar. O prejuízo pode chegar aos 5 mil milhões de dólares.

Este é apenas um dos casos que Cristina Kirchner está envolvida, podendo vir ainda a ser acusada de vários casos de corrupção, um deles envolvendo o desvio de milhões de dinheiro público que um governante foi apanhado a tentar esconder em várias malas no convento de Nossa Senhora de Fátima, na Argentina.