O Sindicato da Construção disse estar regularizado o pagamento dos dois meses de salários em atraso a 100 trabalhadores da Somague, mas alertou para o facto das dificuldades da construtora ameaçarem os 1.000 empregos que assegura em Portugal.

Adiantando que os salários de janeiro e fevereiro aos cerca de 100 trabalhadores da Somague que se encontram em situação de inatividade foram pagos na terça-feira – depois de cerca de duas dezenas de funcionários se terem concentrado, em protesto, frente ao escritório da construtora na Maia -, o presidente do sindicato assegurou que, “caso a situação volte ao que estava anteriormente, vai ser marcada uma concentração de trabalhadores frente às instalações da empresa em Sintra e convidada a imprensa portuguesa e espanhola”.

É que, conforme fez notar Albano Ribeiro no final de uma reunião com a administração da construtora, a Somague é atualmente controlada pela gigante espanhola Sacyr, o que tem motivado o interesse da comunicação social espanhola relativamente aos protestos dos trabalhadores em Portugal. De acordo com o dirigente sindical, na reunião desta quinta-feira a administração da Somague “comprometeu-se a tudo fazer para pagar o salário de março até ao final do mês”, tendo assegurado que, se não conseguir fazer, no prazo de uma semana “informa o sindicato”.

Relativamente à situação dos “contratos ilegais” que, segundo o sindicato, a Sacyr estaria a apresentar a alguns trabalhadores com vista a levá-los para a Colômbia, desvinculando-os da construtura portuguesa e retirando-lhes o direito a indemnizações pelos anos de serviço prestados, Albano Ribeiro diz ter-lhe sido garantido “que os trabalhadores que não aceitem ir com aquele contrato não vão e negociarão ou ir para a Colômbia numa situação diferente ou uma rescisão” por mútuo acordo.

Da reunião desta quinta-feira saiu ainda o compromisso do sindicato de que irá “fazer contactos” junto das principais empresas que, atualmente, têm dívidas à Somague – como a Águas de Barcelos, “que deve muitos milhões à empresa”, o Governo Regional da Madeira, o Governo do Continente e o Boavista Futebol Clube, “que deve 50 milhões de euros da construção do estádio” do Bessa – para que os pagamentos à empresa sejam regularizados. É que, alertou, “em risco” estão os 1.000 postos de trabalho assegurados pela empresa em Portugal.

A Lusa contactou a Somague mas até ao momento não obteve um comentário.