Cabo Verde registou uma “ligeira diminuição” no número de casos de tuberculose nos últimos anos, considerando que em relação ao número de mortes a situação é “estacionária”.

A análise foi feita esta sexta-feira à imprensa pelo responsável do Programa Nacional de Luta contra a Tuberculose e Lepra (PNLTL), Jorge Barreto, dizendo que a diminuição de casos foi graças a melhoria na capacidade de diagnóstico e a melhoria na prestação de cuidados.

Jorge Barreto falava à imprensa no âmbito de uma sessão para sensibilizar jornalistas, realizada pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), em parceria com o Programa Nacional de Luta contra a Tuberculose e Lepra (PNLTL), no âmbito do dia Mundial da doença, que se assinala esta sexta-feira.

Segundo o infeciologista do Ministério da Saúde, em 2013 Cabo Verde registou 314 casos de tuberculose, número que diminuiu para 292 no ano seguinte, para 271 em 2015 e 255 no ano passado.

Em relação à mortalidade, disse que a situação do país é “estacionária”, uma vez que o aceitável é haver menos de cinco mortes por cada 100 mil habitantes, mas Cabo Verde não tem ultrapassado esse indicador internacional.

Segundo os dados disponibilizados, o país registou 15 mortes em 2013, número que diminuiu para seis em 2014, e voltou a aumentar para 11 no ano seguinte e os dados provisórios de 2016 apontam para oito óbitos em toda a população cabo-verdiana, que ronda os 500 mil habitantes.

Os dados do Ministério da Saúde de Cabo Verde são diferentes dos divulgados na terça-feira pelo relatório do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2016 das Nações Unidas, mas com dados de 2014.

Segundo o documento, Cabo Verde registou 31 mortes por tuberculose em cada 100 mil habitantes em 2014, valor superior aos 23 do registo de 2012.

Questionado, Jorge Barreto garantiu que o país vai analisar essas discrepâncias, mas salientou que as organizações internacionais trabalham com estimativas e previsões, que às vezes não condizem com os dados notificados pelo país.

“O PNLTB ainda não teve acesso a esse documento (do IDH), mas será alvo de uma análise. Habitualmente essas organizações e instituições internacionais trabalham com base em estimativas e projeções, que muitas vezes não condizem com os dados programáticos, que são os de notificação que recebemos”, justificou o médico.

Jorge Barreto adiantou que o programa que dirige deverá realizar um inquérito a nível nacional para analisar essas discrepâncias entre os dados notificados em Cabo Verde e os disponibilizados pelas organizações internacionais.

“É precisa haver uma análise para tentarmos perceber o que é que se passa com esta situação”, mostrou, salientando que se essas informações forem verdade devem servir para o país focalizar e melhorar as suas condições de prestação de serviço às pessoas com a doença.

O médico sublinhou ainda que as organizações internacionais partem do princípio que a maior parte dos países pouco desenvolvidos não têm condições de garantir a fiabilidade dos dados e a notificação de todos os casos de tuberculose que acontecem.

A tuberculose é uma doença infecto-contagiosa causa pela bactéria chamada de Bacilo de Koch, que afeta principalmente os pulmões, mas que pode atingir outras partes do corpo.

Em Cabo Verde o tratamento é gratuito em todas as estruturas de saúde.