O empresário Marcelo Odebrecht disse ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que a ex-Presidente do Brasil Dilma Rousseff sabia que a empresa tinha financiado ilegalmente a campanha presidencial de 2014. A informação foi divulgada na quinta-feira à noite pela imprensa brasileira, que cita documentos do processo e o blogue “O Antagonista”.

Ao TSE, Marcelo Odebrecht disse que Dilma Rousseff tinha pedido, através do ex-ministro das Finanças do Brasil Guido Mantega, que a empresa concentrasse todos os financiamentos para o Partido dos Trabalhadores (PT) na campanha presidencial dela. O empresário declarou que a ex-chefe de Estado nunca lhe disse diretamente ter conhecimento das doações ilegais da empreiteira para a campanha presidencial, mas afirmou estar convencido de que Dilma sabia.

A coligação de Dilma Rousseff e do atual Presidente do Brasil, Michel Temer, está a ser investigada pelo TSE por alegado abuso de poder político e económico nas eleições presidenciais de 2014.

Em resposta a estas informações, o gabinete da ex-Presidente afirmou que “Dilma Rousseff jamais pediu recursos para a campanha ao empresário, em encontros em palácios governamentais, ou mesmo solicitou dinheiro para o Partido dos Trabalhadores”. “Dilma Rousseff não tem e nunca teve qualquer relação próxima com o empresário Marcelo Odebrecht, mesmo nos tempos em que ela ocupou a Casa Civil no Governo de Lula da Silva”, de acordo com o mesmo comunicado. “Marcelo Odebrecht precisa incluir provas e documentos das acusações que levanta contra a ex-Presidente da República, como a defesa de Dilma solicitou – e viu teve negado os pedidos – à Justiça Eleitoral. Não basta acusar de maneira leviana”, acrescentou.

A Odebrecht e a petrolífera Petrobras estão no centro de um inquérito no Brasil, iniciado em 2014, que investiga um sistema de corrupção que passava pelo pagamento de subornos a responsáveis políticos brasileiros e de outros países da América Latina, assim como de África.