Depois de ter admitido a possibilidade, eis que o CEO da Lamborghini, Stefano Domenicali, vem levantar de vez o véu quanto à hipótese de o primeiro SUV da marca, o Urus, vir a ter uma versão híbrida plug-in, vulgarmente denominada PHEV. Segundo este mesmo responsável, o modelo vai mesmo ter uma versão mais “verde”, e ainda mais cedo do que o inicialmente apontado – mais concretamente, em 2020.

Em declarações à CarAdvice, Domenicali confirmou que a decisão de um Urus híbrido “já foi tomada”, considerando-a “a abordagem correcta”. Isto fará do Urus – cuja chegada ao mercado, para já apenas com motor térmico, está agendada para 2018 – o primeiro modelo da marca de Sant’Agata Bolognese a exibir uma motorização deste género.

Apesar desta abertura a novas soluções tecnológicas, o CEO da Lamborghini não deixa de reafirmar igualmente a vontade de manter aquele que tem sido o motor de eleição na “marca do touro”, o conhecido V12 naturalmente aspirado. “Continuamos a acreditar no potencial da nossa oferta em termos motores”, afiança Domenicali. “Aliás, quanto mais vemos a electrificação avançar, mais constatamos que o mercado existente para, por exemplo, o nosso V12, continua a ser muito grande”, sublinha.

Ainda assim, o mesmo responsável defende que a marca “não se pode esconder eternamente no desejo de querer continuar fiel” aos motores naturalmente aspirados, se bem que também não pode deixar de avaliar efectivamente se o enveredar por novas soluções de propulsão é ou não economicamente interessante.

As pessoas que dizem que vamos ganhar dinheiro com a electrificação, estão a mentir. Actualmente, os custos são maiores que a rentabilidade”, atira.

Por outro lado, o CEO da Lamborghini assume que vai ser difícil conseguir substituir o apelo emocional que os motores naturalmente aspirados têm na marca de Sant’Agata Bolognese. Com a sonoridade e o carácter que tradicionalmente revelam a ser difícil de replicar nas soluções híbridas.

As características que os nossos automóveis possuem, o seu ADN, a dinâmica e o centro de gravidade, a emoção… Tudo isto é algo que, pelo menos para já, não é possível replicar num PHEV. Talvez no futuro, embora eu não acredite que tal possa acontecer antes de 2025-2028. É preciso não esquecer que nós estamos a vender emoções, mais do que carros”, declara Stefano Domenicali.

Também por esse motivo, a marca não descarta outras possibilidades em termos de futuro, como seja um mais pequeno V10 com turbocompressor: “Talvez, talvez sim, embora não para todos os modelos que temos. Em breve decidiremos qual vai ser o futuro do V10, enquanto primeira escolha, mas é certo que queremos manter o V12 o maior tempo possível. Até porque parecemos ser os únicos decididos a fazê-lo.”

Recorde-se que, depois do “desvio” de fabricantes como a Ferrari, a Aston Martin, a McLaren e a Porsche, no sentido dos motores turbocomprimidos, a Lamborghini, e a Audi, com o seu R8 V10, mantêm-se como os únicos fabricantes fiéis aos motores térmicos naturalmente aspirados.