A Seleção Nacional realizou esta noite o particular com a Suécia na Madeira, já depois de ter ganho à Hungria na Luz para a fase de apuramento europeia para o Campeonato do Mundo de 2018, e só regressa agora à ação a 9 de junho, quando defrontar a Letónia também a contar para o grupo B de qualificação para o Mundial da Rússia. Até lá, os jogadores que atuam em Portugal têm um campeonato para resolver, ao passo que outros, como Cristiano Ronaldo, Pepe, Renato Sanches, André Gomes, Raphael Guerreiro, Moutinho ou Bernardo Silva acumulam à respetiva liga a luta pela Champions.

Há muito para resolver entre clubes, mas não haverá muito para o selecionador Fernando Santos escolher os 23 que estarão presentes na Taça das Confederações da Rússia, prova que irá ser disputada entre 17 de junho e 2 de julho. Ou seja, uma semana depois do compromisso com a Letónia a contar para o Mundial. E quais são as dúvidas ainda existentes (partindo do pressuposto que não existirão problemas físicos)?

Agarrando na base que foi campeã europeia em França e nas convocatórias seguintes para os encontros de Portugal, percebe-se que existem 15/16 jogadores praticamente garantidos na Taça das Confederações, onde a Seleção irá defrontar na fase de grupos México (dia 18 de junho, em Kazan), Rússia (dia 21, em Moscovo) e Nova Zelândia (dia 24, em São Petersburgo). E as dúvidas serão mais uma questão de escolha do que outra coisa.

Guarda-redes (3)

Rui Patrício, considerado o melhor guarda-redes do último Europeu, é o titular indiscutível da baliza portuguesa (e do Sporting) e assim continuará. Ainda assim, os dois outros guardiões ainda não estão definidos. Anthony Lopes, do Lyon, leva vantagem, saindo da última convocatória por lesão. No entanto, Eduardo, que trocou o Dínamo Zagreb pelo Chelsea, praticamente não teve competição esta época e pode perder o lugar para Marafona (Sp. Braga). Além destes, apenas Bruno Varela (V. Setúbal) esteve no banco em dois jogos, por sinal nos dois últimos.

Defesas (7 ou 8)

Aqui é a primeira dúvida mais a sério de Fernando Santos: tratando-se de uma prova com o máximo de cinco jogos, contra os sete que o Campeonato da Europa podia ter (e teve), preferirá Fernando Santos manter os oito defesas que levou ao Europeu ou reduzir esse número a sete para libertar uma vaga para o setor ofensivo? E abdicando de um defesa, preferirá deixar cair um central ou um lateral, direito ou esquerdo, apostando na polivalência?

Vamos partir de um cenário onde são convocados oito defesas. Cédric (Southampton), Pepe (Real Madrid), José Fonte (West Ham), Bruno Alves (Cagliari) e Raphael Guerreiro (B. Dortmund) mantêm-se como unidades-chave nas opções do selecionador e deverão voltar a merecer a chamada. À direita, com Vieirinha afastado das últimas convocatórias, a luta parece estar aberta entre Nélson Semedo (Benfica) e João Cancelo (Valencia); na esquerda, apesar de Antunes (Dínamo Kiev) já ter sido chamado no pós-Europeu, Eliseu (Benfica) continua a ser a escolha mais forte. No eixo recuado, após a saída de Ricardo Carvalho, Luís Neto (Zenit) tem sido habitualmente convocado por Fernando Santos, funcionando como quarto central.

Caso tenha de cair algum defesa, ficando apenas sete, parecem verosímeis dois planos: ou cai um central, podendo William ou Danilo recuarem em caso de necessidade; ou cai um lateral, podendo Cédric, Cancelo ou Nélson Semedo darem uma “perninha” também na esquerda como recurso. Rúben Semedo, que regressou à titularidade no Sporting, poderia ser equacionado mas existe um contra para promoções dos Sub-21: ao mesmo tempo da Taça das Confederações estará a realizar-se o Campeonato da Europa da categoria…

Médios (7)

Aqui há muita fartura mas poucos lugares. E alguém terá de ficar de fora, num cenário mais adensado se Bernardo Silva, nesta contabilidade, for contabilizado como médio ofensivo e não avançado (existe uma razão para este “se” que já explicaremos mais à frente). Vamos assumir aqui que Fernando Santos leva sete médios à Rússia.

William (Sporting) e Danilo (FC Porto) são donos e senhores da posição ‘6’ de Portugal. Rúben Neves, também do FC Porto, poderá a breve prazo passar da equipa Sub-21 para a principal, mas esse breve prazo não será assim tão breve (e o facto de andar a jogar menos este ano nos dragões em nada ajuda). Depois, existem mais três nomes quase indiscutíveis na linha média: João Mário (Inter), André Gomes (Barcelona) e Renato Sanches (Bayern).

Olhando para os convocados do Europeu, estiveram também Adrien (Sporting) e João Moutinho (Mónaco). O médio leonino recupera de uma lesão no joelho e deve voltar à competição na terceira semana de abril, ao passo que o número 8 dos monegascos, não tendo a relevância e peso de outras épocas, tem continuado a ser convocado. Mas há aqui outros fatores a baralhar as contas. Um, sobretudo: Pizzi. Seja pela grande época que está a fazer, seja pela própria polivalência em campo, o jogador do Benfica “reclama” lugar nos 23. Uns patamares abaixo, mas também nessa luta, pode estar André André, que foi chamado no pós-Europeu e tem vindo a crescer no FC Porto. E se Bernardo Silva descer para este lote de médios, ainda mais (boas) dores de cabeça terá Fernando Santos…

Avançados (5 ou 6)

Retomamos a pergunta feita na defesa: o selecionador vai manter os cinco avançados como no Europeu ou tenta abrir uma vaga para levar seis elementos de características mais ofensivas? A dúvida entronca numa razão: ao contrário do que aconteceu em França, Fernando Santos tem chamado com regularidade dois avançados e não apenas um, Éder (Lille) e André Silva (FC Porto), o que pode motivar um acrescento no setor.
Cristiano Ronaldo (Real Madrid), Nani (Valencia, que falhou os últimos encontros por lesão) e Quaresma (Besiktas) têm lugar aparentemente confirmado – no caso do capitão, é mesmo um posto cativo –, mas Gelson Martins, que continua a fazer uma grande temporada no Sporting, e Bernardo Silva, apelidado de príncipe da equipa sensação da Champions, o Mónaco, estão na luta e têm sido chamados com regularidade à Seleção. E ainda há Rafa, do Benfica, que foi ao Campeonato da Europa. E os miúdos dos Sub-21, sempre à espreita de uma oportunidade que deverá acabar por surgir a médio prazo (Diogo Jota, Bruma, Iuri Medeiros ou Podence).

Uma hipótese que poderá acontecer é a passagem de Gelson para os Sub-21, reforçando as opções de Rui Jorge para o Campeonato da Europa da categoria. Ainda assim, há mais nomes do que lugares. A não ser que, das duas uma: ou Portugal leva seis unidades ofensivas ou Bernardo Silva poderá entrar no lote de médios. Opções não faltam. E Portugal, tal como a Alemanha, surge entre os favoritos à conquista de mais uma grande prova internacional onde marcará presença pela primeira vez.