Durante o julgamento, que terminou em Novembro de 2013 com a sua condenação a um mínimo de dez anos de prisão, por crime de homicídio, ficou conhecido como “Marine A”, sargento ao serviço de sua majestade no corpo dos Royal Marines britânicos, com mais de 13 anos de serviço, várias comissões no Iraque e no Afeganistão e uma folha de serviço imaculada.

Só depois da condenação, a primeira de um soldado britânico por homicídio em campo de batalha estrangeiro desde a Segunda Guerra Mundial, é que a identidade de Alexander Blackman, hoje com 42 anos, se tornou conhecida. No mesmo momento, começou a demanda de Claire Blackman para reduzir a pena do marido – com um apoio de peso: Frederick Forsyth, bestseller internacional que foi o piloto mais novo da Royal Air Force primeiro, jornalista depois, autor de thrillers a seguir, juntou-se ativamente à defesa do Marine A. Na opinião do escritor britânico, reverberada sobretudo pelo jornal Daily Mail, que segundo a BBC também se juntou à causa, Blackman não passou de um bode expiatório para tudo o que correu mal durante a presença militar britânica no Afeganistão.

O escritor britânico Frederick Forsyth foi um dos mais acérrimos defensores de Alexander Blackman (ADRIAN DENNIS/AFP/Getty Images)

Depois de mais de 100 mil pessoas terem assinado a petição online pela revogação da sentença, o recurso interposto pelos advogados do ex-militar foi finalmente aceite em tribunal marcial. A sentença passou de culpado de crime de homicídio, com pena de prisão perpétua com cumprimento efetivo de pelo menos dez anos; para homicídio involuntário por motivos de responsabilidade diminuída – devendo ser libertado já durante as próximas duas semanas (por já ter cumprido sete dos oito anos de prisão a que foi condenado com a revisão da sentença).

Em tribunal, Alexander Blackman disse estar sob stress de guerra quando matou o combatente talibã desarmado, a 15 de setembro de 2011, na província de Helmand, no sul do país, a quase 700 km de Cabul. Eram os dias finais de uma comissão de seis meses, durante os quais a unidade a que pertencia já tinha perdido sete homens, explicou. No primeiro julgamento, o militar tinha alegado que julgara que o combatente afegão já estava morto, pelo que o único crime que cometera fora o de descarregar a raiva num cadáver.

O coletivo de juízes que agora avaliou o caso salientou os grandes níveis de stress a que Blackman estava sujeito, bem como o perigo que continuava iminente (a unidade de patrulha que integrava continuava sob ameaça de rebeldes talibãs), como justificação para a alteração da pena.

O incidente em questão ocorreu depois de uma base de patrulha britânica em Helmand ser atacada por um grupo de talibãs, tendo um deles sido gravemente ferido pelos atiradores de um helicóptero Apache, chamado para prestar auxílio. Os militares do 42 Commando, a unidade a que pertencia Blackman, encontraram-no caído no chão. Em vez de o fazer prisioneiro, com uma pistola de 9 milímetros, à queima-roupa, o marine deu-lhe um tiro no peito. Foi tudo filmado pela câmara instalada no capacete de um dos outros militares, tendo o vídeo sido encontrado no decorrer de outra investigação, não relacionada com este caso.

Nas imagens, Alexander Blackman aparece com nitidez. Visual e sonora: “Como é óbvio, este já não vai a lado nenhum, amigos. Acabei de violar a Convenção de Genebra”.