O Governo moçambicano anunciou esta quinta-feira a suspensão temporária da importação e comercialização de carnes e frangos de origem brasileira e criou uma equipa técnica para a avaliação dos produtos abrangidos pela medida. Falando durante uma conferência de imprensa em Maputo, a diretora Nacional do Comércio Interno, Zulmira Macamo, disse que a medida visa evitar danos para a saúde dos consumidores, caso se confirme que as importações de carnes feitas por Moçambique fazem parte dos lotes supostamente adulterados, na sequência da operação “Carne Fraca”, desencadeada pela Polícia Federal brasileira.

“O Governo decidiu criar uma equipa multissetorial com vista a verificar a existência de produtos importados do Brasil no mercado nacional”, afirmou Zulmira Macamo, dando conta da formação de um grupo de avaliação, constituído por quadros dos ministérios da Indústria e Comércio, da Saúde e da Agricultura e Segurança Alimentar, bem como técnicos da Autoridade Tributária.

De acordo com dados oficiais, entre outubro de 2016 e fevereiro 2017, Moçambique importou 360 mil quilogramas de frango, dos quais 324 mil através da empresa BRF e 33 mil através da Seara Internacional, duas companhias cujo nomes estão entre as empresas citadas na “Operação Carne Fraca”. “Só a análise físico-química poderá determinar se as carnes importadas do Brasil estão em condições para o consumo humano e, por conseguinte, a decisão definitiva sobre a continuidade da sua comercialização”, observou Zulmira Macamo, que explicou que a suspensão é extensiva aos países da região pelo facto de existir um “grande circuito” de comercialização de carnes provenientes do Brasil.

Em relação às quantidades cativadas, as autoridades moçambicanas identificaram, até ao momento, produtos no valor de cerca de 76 milhões de meticais (mais de um milhão de euros), principalmente nas províncias de Maputo, sul do país, Manica, centro, e Nampula, norte.

A Operação “Carne Fraca” foi desencadeada pela Polícia Federal brasileira e envolve fiscais que supostamente recebiam suborno de empresas para emitir certificados falsos para carne com prazo vencido, usando, em muitas circunstâncias, produtos químicos para disfarçara a deterioração do produto.