Mário Centeno diz que “não há desconfiança” das agências de rating e dos mercados financeiros em relação a Portugal. O que há, diz o ministro das Finanças em entrevista ao Público e à Rádio Renascença é uma “grande resistência na reavaliação” das notações de risco da “generalidade das economias portuguesas”.

Além da Grécia, Portugal é o único país da zona euro que tem todos os ratings em lixo (exceto a canadiana DBRS). Mas Mário Centeno alega que as três principais agências — S&P, Moody’s e Fitch — já têm uma visão positiva sobre as reformas estruturais no país. Mas, depois, são aplicados “critérios que são bastante discricionários” que levam a que, no final, Portugal fique com o rating em nível de alto risco (lixo).

É evidente que há aqui um conservadorismo muito, muito forte destas agências. Em qualquer dos casos, os sinais que temos tido de todas elas, inclusive a última (a S&P), são muito positivos perante a preocupação que colocam, que é o sistema financeiro.

O ministro das Finanças não fala em “preconceito”, mas diz que existe um “hiperconservadorismo de quem se enganou muito no passado. Porque as agências de rating não deram pela chegada da crise em 2007-2008. Esta sobrereação que se nota neste momento nas agências de rating poderá ter as suas razões fundadas, no seu funcionamento interno, mas eu enquanto governante defendo que deveria haver uma mudança”.

Os mercados da dívida contagiam-se (ou são influenciados) por movimentos que não têm nada que ver com o nosso país. Estamos a fazer tudo o que é possível, e a ter indicadores que suplantam todas as expectativas, no sentido de o país ter um desempenho que seja, também nesses mercados, compatível com as nossas expectativas.

Na entrevista ao Público e à Rádio Renascença, Centeno evitou comentários sobre o Montepio ou sobre a idoneidade de Tomás Correia, líder da associação mutualista e ex-presidente da caixa económica também. Está “descansado”? “Eu estou descansado em relação ao meu trabalho em relação a essas situações. Não quero que esta minha resposta seja lida de outra maneira que não seja esta que acabei de lhe dar”, respondeu Mário Centeno.

Mário Centeno comentou, também, que “não é verdade” que o Estado fique sem ter qualquer autoridade no Novo Banco, após uma possível venda à Lone Star, apesar de não nomear qualquer administrador. Além disso, no que diz respeito à política fiscal, o ministro das Finanças adiantou que o IRS vai descer em 2018 “para aqueles que mais necessitam”.