O líder dos trabalhistas britânicos, o maior partido do país e oposição principal aos conservadores de Theresa May, devia estar a surfar uma onda de frustração pós-Brexit mas, em vez disso, Jeremy Corbyn é o menos popular de todos os líderes partidários em Londres, um dos seus bastiões. E as últimas sondagens mostram um partido com sérios problemas.

E fica pior: Jeremy Corbyn tem um nível de aprovação menor do que Donald Trump junto do público britânico. A empresa de sondagens GfK mostra que apenas 17% dos britânicos aprovam o trabalho de Corbyn, enquanto 58% desaprovam e os restantes não sabem. Mas há 18% de britânicos que responderam que Trump estava a fazer um bom trabalho.

Comparado com os “santos da casa”, Corbyn tem uma popularidade de menos 44 pontos e está pior classificado do que Theresa May, com nove pontos positivos, Caroline Lucas, dos Verdes, com 13 pontos positivos, e até de Tim Farron, dos Liberais Democratas, que está abaixo da linha de água com menos 8, e Paul Nuttal, dos eurocéticos do UKIP, que aparece com menos 34 pontos.

Os números de Jeremy Corbyn contrastam de forma particularmente áspera com os de outro homem dos trabalhistas: o presidente da Câmara de Londres Sadiq Khan, que, na sondagem realizada pela empresa YouGov, tem uma taxa de popularidade situada nos 35 pontos positivos, com 58% dos inquiridos assumindo que o mayor está “a fazer um bom trabalho”. Já Corbyn só está a exercer as suas funções de forma satisfatória para menos do que uma em cada cinco pessoas, cerca de 38%.

Muitos dos aliados de Corbyn, e da massa eleitoral do Labour, está concentrada em Londres. Nomes próximos do líder como Emily Thornberry, que é ministra-sombra dos Negócios Estrangeiros e Diane Abbott, ministra-sombra da Administração Interna, mas isso não parece influenciar a perceção que os londrinos têm do líder dos trabalhistas.

Quem está a capitalizar na desilusão do centro-esquerda em relação ao Brexit são os Liberais Democratas, que estão nos 14 por cento na capital, e elegeram recentemente o segundo nome para o Parlamento – Sarah Olney, que foi eleita em Richmond Park, uma zona “pró-UE”. Na capital, os trabalhistas estão apenas três pontos à frente dos conservadores na intenção de voto (37 para 34), e, no resto do país, o cenário piora muito: os trabalhistas estão nos 25 pontos e os conservadores nos 44.

Seria preciso um “sismo” para que o Labour conseguisse chegar perto do governo em 2020, diz Maurice Mcleod, diretor do centro de pesquisa social Race on the Agenda, no Guardian. Mas “não é impossível” até porque há menos de um ano “o Donald Trump era a punchline de uma piada, o George Osborne estava destinado a ser primeiro-ministro e o Corbyn era um velhinho perdido nos anos 80″.