Internet

As notícias sobre a morte da televisão são manifestamente exageradas? Talvez não

Os 'millennials' (menores de 35 anos) assistem a cada vez menos televisão, optando pelas plataformas de "streaming", como o Netflix. E isto pode ser o fim da "caixinha mágica" como a conhecemos.

Keystone/Getty Images

Ainda se recorda dos Buggles? Video Killed the Radio Star? Essa, essa. Na verdade quem “deu à sola” foi a banda britânica — e a rádio por cá continua até hoje a emitir. Agora o paradigma é outro: a Internet é que está a “matar” a televisão. Mas também a rádio e tudo em volta, qual eucalipto que lhes seca a publicidade e as deixa a definhar pouco a pouco.

Quem o garante é a Deloitte. Um estudo da consultora conclui que os ‘millennials’ (os nascidos entre meados dos anos 1990 e o ano 2000) interessam-se cada vez menos pela televisão. E, se o futuro é deles, o presente diz-nos que quando o tal futuro chegar por fim estes não quererão saber da caixinha (hoje cada vez mais fina) que mudou o mundo para nada. Zero.

Muitos dos jovens consultados para o estudo disseram que só assistiam à televisão quando viviam em casa dos país, porque estes também o faziam. Para eles [jovens] a televisão é apenas um aparelho mais. Eles têm a Internet, têm o computador, o smartphone… Não pensam na televisão como os pais pensavam”, explica Nichole Becker, vice-presidente da Defy Media — plataforma focada na criação e distribuição de conteúdos digitais para ‘millennials’ –, ao jornal espanhol El Confidencial.

Hoje, e cada vez mais, estes ditos ‘millennials’ querem uma plataforma de streaming por perto e um dispositivo (que pode ser uma televisão, sim, mas não uma estação de televisão; não confundamos o aparelho com o que nele é transmitido) onde assistir aos conteúdos. Porquê? As razões são essencialmente duas: sedentarismo e poder. O poder de decidir o que querem ver, quando querem e até quanto. “[Os ‘millennials’] dizem do Netflix, por exemplo, que é infinito e sem limites. Não precisam de ir ao cinema. Não precisam de ter qualquer tipo de trabalho. Só precisam de ver a série durante horas e horas”, explica Nichole Becker.

Num tempo em que as receitas de publicidade ditam quem resiste e quem desaparece, televisão e Internet passam por problemas. A televisão desde logo porque viu a sua publicidade (ou parte significativa dela) derivar para a Internet. A Internet porque tem cada vez mais utilizadores com Adblock instalado — o que é o mesmo que dizer que a publicidade existe, sim, mas é bloqueada e não gerará receitas para os respetivos sites.

Como contornar isto? A Internet sabe como, a televisão não. A vice-presidente da Defy Media explica: “Os anúncios tradicionais [na televisão], os pequenos anúncios [na Internet] antes dos vídeos ou o banner de publicidade na redes sociais… os jovens não querem nada disso. É quase invisível para eles. E quando não é, veem-nos como uma obstáculo que os atrasa — o que não é bom para o anunciante. Os bloggers, por exemplo, testam produtos de que gostam [a isto se chama “publicidade nativa”, ou seja, publicidade que não aparente ser — mas é]. As sugestões por pessoas que estão na área de influência dos jovens estão a registar as melhores estatísticas”.

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