Começa esta segunda-feira, dia 3, e prolonga-se até domingo, dia 9. A primeira semana de abril é, assim, a semana Estação Imagem, um palco privilegiado para a fotografia e para os melhores trabalhos de fotojornalismo e que atribuiu os prémios mais concorridos do meio em Portugal. E além das distinções há também exposições de referência.

Prazeres sob Ocupação, de Tanya Habjouqa, é um retrato de residentes palestinianos em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Leste, com especial atenção sobre as mulheres. Nas palavras da fotógrafa nascida em 1975 na Jordânia, esta série de imagens é “uma nuance sobre a capacidade que a humanidade tem de encontrar prazer no meio das circunstâncias difíceis que se vivem”. (Museu de Artes Decorativas, de 4 de abril a 4 de maio)

Bruno Simões Castanheira é o autor de Lugares de Silêncio, resultado da Bolsa Estação Imagem atribuída em 2016. O fotógrafo, que já venceu o prémio maior em Viana do Castelo duas vezes, em 2013 e 2015, esteve em Castro Laboreiro, no Gerês, para uma espécie de viagem através de um tempo que, ali, parece não passar: “A natureza produz homens, e os homens transformam a natureza. Gente que molda a paisagem; a paisagem que molda a gente. Até que, no transcorrer silencioso do tempo, gente e paisagem se fazem unidade”, descreve o fotojornalista. (Antigos Paços do Concelho, de 4 a 26 de abril)

A Coreia do Norte e os EUA são os cenários de Regresso a Casa, exposição de David Guttenfelder, produzida pelo Visa Pour L’Image, o festival internacional de fotojornalismo de Perpignan. Guttenffelder, colaborador da Associated Press, foi o primeiro fotógrafo ocidental a conseguir ter acesso regular à Coreia do Norte. Através da rede social Instagram, mostrou-a como nunca antes tinha sido revelada. Regressou aos EUA e manteve o mesmo princípio, mas no próprio país. Esta é a exposição que mostra as duas realidades. (Primeiro Andar dos Antigos Paços do Concelho, de 4 a 26 de abril)

“Quis ser a voz dos perseguidos e os olhos do público em geral. Trabalhar para a Reuters significa que o meu público é o planeta inteiro e isto é uma grande responsabilidade sobre os meus ombros. Por estas fotografias e reportagens que fiz, ninguém poderá vir dizer que não sabia de nada.” As palavras são de Yannis Behrakis, fotógrafo grego da Reuters (vencedor de um Pulitzer) que assina as imagens que compõem Caminhos de Esperança e Desespero, exposição que mostra o drama e o impacto das migrações provocadas por guerras em diferentes partes do mundo. (Museu do Traje, de 4 de abril a 4 de maio)

Felipe Diana acompanha as transformações sociais no Brasil como fotógrafo profissional há 15 anos. Os efeitos da recente epidemia provocada pelo mosquito Aedes aegypti foi mais um dos momentos marcantes do país que registou. Parte desse trabalho está exposto em Vírus Zika. (Espaço Linha Norte, de 4 de abril a 4 de maio)

Exílio junta fotografias da agência Magnum que, de acordo com a organização, não seguem “nenhuma ordem histórica, cronológica ou geográfica em particular”. Mostram “o impressionante número de conflitos internacionais que ocorreram desde a Segunda Guerra Mundial, bem como as consequentes massas de exilados, pessoas deslocadas e refugiados”. (Espaço Linha Norte, de 4 de abril a 4 de maio).

Acontece também o INAUGURO#54, um conjunto de exposições de fotografia de autores portugueses: Bravio de Paulo Alegria, na Dinamo10; Viagem sem Rumo de João Pedro Marnoto, na Objectos Misturados; Intimidade de Luísa Ferreira, na Dona Emília Casa de Hóspedes; Fronteira de Céu Guarda, no Espaço Oficina; Mata Velhos de António Carrapato, no Welcome Center; Rostos de Fé de José António Rodrigues, na Santa Casa da Misericórdia; e Escamas de José Pedro Santa-Bárbara Absoluto, no Design Hotel.

O júri internacional, que estará reunido em Viana do Castelo entre 5 e 7 de Abril e decide sobre os vencedores dos prémios, vai ser presidido por Francis Kohn, diretor de fotografia da Agence France-Presse desde 2012 e presidente do júri do prémio World Press Photo em 2016. O júri é ainda composto por Bénédicte Kurzen, fotojornalista da agência NOOR; David Guttenfelder, fotojornalista da National Geographic (oito vezes vencedor de prémios World Press Photo); Tyler Hicks, fotojornalista do The New York Times (vencedor em 2014 do prémio Pulitzer em Breaking News Photography e do Visa d’or News Award, e de três prémios World Press Photo); e Andrei Polikanov, diretor visual da revista online russa Takie Dela (membro do júri do World Press Photo 2017).

Para a edição de 2017 da Estação Imagem (a oitava), e de acordo com a organização, foram submetidas a concurso 270 reportagens e 110 trabalhos candidatos a Fotografia do Ano, realizados por cerca de 150 profissionais. A grande maioria dos autores são portugueses, mas também há espanhóis, brasileiros, moçambicanos, italianos e belgas. Há ainda 13 candidaturas à bolsa Estação Imagem ​2017, que é também entregue anualmente.

No ano passado, o prémio Estação Imagem, a mais cobiçada das distinções, que premeia uma reportagem, foi entregue a Mário Cruz, por “Talibés, Escravos Contemporâneos”.

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