A revelação é do responsável pelo Departamento de Assuntos Legais e Políticos da Europol. Em entrevista ao Diário de Notícias, Dietrich Neumann afirma que uma maior cooperação entre as diferentes polícias europeias após os ataques de novembro de 2015 em Paris permitiu ao Serviço Europeu de Polícia alargar significativamente a lista de suspeitos de terrorismo.

E explica: “No passado, realmente, privilegiou-se mais a cooperação antiterrorista bilateral do que multilateral. Desde a análise da propaganda que se encontra na Internet ao fluxo de movimentos financeiros, a monitorização daquilo a que se convencionou chamar a dark net e toda uma infraestrutura de informação (…) passámos a receber toda uma série de informações das diferentes polícias nacionais que nos possibilitou aumentar a nossa lista de suspeitos. Até aos ataques de Paris havia 18 nomes nessa lista, hoje são cerca de 9.000.

Na mesma entrevista, e analisando o ataque de março em Londres, Neumann vê em Khalid Masood (o terrorista de Westminster) um “lobo solitário” — como outros houve recentemente na Europa. Mas quer o Estado Islâmico quer a Al-Qaeda têm outros modus operandi.

“Se olharmos os ataques de Paris vemos uma operação militar, bem organizada, com alvos diferentes, atacantes fortemente armados, mas, por outro lado, se pensarmos em Nice, Berlim e agora Londres, temos casos daquilo a que se costuma chamar operações de ‘lobos solitários’. Está por perceber se este vai ser ou não o padrão. Uma outra característica importante: este tipo de ataques pode concretizar-se com meios muito limitados e ainda assim causar um número elevado de vítimas, como sucedeu em Nice. Estamos perante um desafio muito sério para as forças de segurança”, lembrou o responsável da Europol.

A terminar, e logo após recordar que a Europa vai ter “eleições muito importantes” [na Alemanha e em França] — e como isso pode potenciar um ataque terrorista nestes países durante esse período –, Dietrich Neumann não deixou de referir que é importante distinguir o terrorismo islamita do Islão, pois, segundo este, “as comunidades muçulmanas na Europa são parte da solução no combate ao terrorismo” e não o problema.

“Essa diferenciação é parte do combate a estes grupos terroristas. Há aqui uma componente de religião e uma outra ideológica. E a Europol e especialistas de países maioritariamente muçulmanos fazem uma distinção absolutamente clara entre terrorismo islamita e o Islão. São duas completamente distintas. O recurso ao terrorismo em nome do Islão é uma falsificação desta religião, transformando-a numa ideologia”, explicou ao Diário de Notícias.