Ato I – Simpósio

O arranque da edição deste ano do Sangue na Guelra dá-se a 5 de maio, no Hub Criativo do Beato, com um simpósio subordinado a uma questão: “Cozinha Portuguesa. E agora?” Para responder, ou tentar, estão já formados quatro grupos de trabalho de chefes, liderados por João Rodrigues (Feitoria), José Avillez (Belcanto), Henrique Sá Pessoa (Alma) e Alexandre Silva (Loco). Cada um deles ficou responsável por discutir um tema específico caro à cozinha portuguesa: sangue, sal, frituras e pão. As conclusões a que chegarem — ou o processo até chegarem a conclusão nenhuma, que será igualmente importante — serão apresentadas no simpósio.

Os chefes encararam este desafio de trabalharem os temas em conjunto de forma muito entusiástica: reúnem-se, trocam ideias, técnicas, experiências, vídeos, fotografias… tem sido um processo inédito e muito estimulante para todos. E o simpósio é justamente sobre esse processo criativo que os uniu nestes últimos meses”, explica Ana Músico, mentora e organizadora do festival, juntamente com o marido Paulo Barata.

A conversa não fica, contudo, por aí. Nuno Mendes, chefe português que tem feito carreira em Londres, primeiro com o Viajante e, atualmente, com a Taberna do Mercado e o Chiltern’s Firehouse também subirá ao palco para falar sobre a sua experiência. O jornalista, escritor e curador gastronómico Andrea Petrini, criador do Gelinaz! — cuja mais recente edição teve direito a esta peça no Observador — fará o mesmo. Mas o ponto alto pode até ser outro: um debate sobre o papel da tradição na senda da modernidade entre duas figuras de proa da gastronomia nacional: Maria de Lourdes Modesto e Duarte Calvão. Uma dupla que, curiosamente, chegou a fazer crítica gastronómica em conjunto no Diário de Notícias sob o pseudónimo Guardanapus. A entrada no simpósio vale 30€ e inclui um almoço volante. Os bilhetes estão à venda no site oficial do evento.

Sangue, sal, frituras e pão são os quatro temas que os grupos de chefes selecionados pela organização irão discutir e apresentar. (foto: Gonçalo Villaverde / Divulgação)

Ato II – Lisboa Food Festival

Depois da tertúlia, o banquete. Nos dias 6 e 7 de maio, também no Hub Criativo do Beato, o Sangue na Guelra abre-se à cidade com o designado Blood n’Guts Lisboa Food Festival. Será uma espécie de festival de comida de rua, mas em bom — nada de hambúrgueres e cachorros fajutos –, onde marcarão presença alguns dos melhores chefes nacionais, casos dos supracitados Avillez, Sá Pessoa, João Rodrigues e Alexandre Silva mas também Ljubomir Stanisic (100 Maneiras), Hugo Nascimento (Tasca da Esquina), Hugo Brito (Boi-Cavalo), Tiago Feio (Leopold) ou Rodrigo Castelo (Taberna Ó Balcão), entre outros.

Deste cartaz fazem parte ainda dois convidados internacionais, o basco Joan Azorit, sous-chef do Mugaritz (9ºmelhor restaurante do mundo na lista World’s 50 Best), e o turco Semi Hakim, fundador do Kök Projekt, cuja missão é ligar comida e tecnologia de forma a promover a sua produção, distribuição e consumo de forma sustentável. A entrada vai custar 4€ (será grátis para crianças até 6 anos) e os preços dos pratos vão dos 5 aos 7€.

Como é hábito, o Sangue na Guelra volta a reunir alguns dos mais promissores jovens chefes nacionais e internacionais. (foto: Gonçalo Villaverde / Divulgação)

Ato III – Jantares

Tudo isto é muito bonito e apetecível mas a verdade é que não há Sangue na Guelra sem os jantares com jovens talentos que vão poder trabalhar o melhor do peixe e marisco nacionais. E eles vão acontecer, claro, nos dias 14, 15, 16 e 22 de maio, este último dedicado em exclusivo aos peixes de rio. Mas até esta vertente mais habitual do festival traz novidades. Ao contrário do que aconteceu nas últimas edições, este ano os jantares vão acontecer em diferentes locais: Bistro 100 Maneiras, Alma e Varanda do Ritz juntam-se ao anfitrião de sempre, o 1300 Taberna.

Entre os chefes internacionais convidados destaque imediato para Kondo Takahiko, chefe pasteleiro e uma das peças mais importantes da engrenagem do Osteria Francescana (recentemente despromovido a 2º melhor restaurante do mundo para a lista World’s 50 Best). Ao deixar cair a última fatia da famosa tarte de limão do restaurante, Taka, como é conhecido, acabaria por levar à criação de “Oops, I Dropped the Lemon Tart”, possivelmente a sobremesa mais famosa do mundo. O japonês vai estar no segundo jantar, dia 15, no Alma, acompanhado de Karime Lopez, a chefe responsável pelo departamento de investigação do Central, em Lima (5º da lista World’s 50 Best).

A famosíssima sobremesa “Oops, I dropped the Lemon Tart”, co-criada por Kondo Takahiko, um dos convidados desta edição do Sangue na Guelra (© Paolo Terzi)

Um dia antes, no Bistro 100 Maneiras, os portugueses Milton Anes (Lab by Arola), Fábio Quiraz (Paparico) e Leo Carreira (Londrino) vão cozinhar com o australiano Chase Lovecky (The Clove Club, 26º da World’s 50 Best). Já no dia 16, no Varanda do Ritz, é a vez do anfitrião Carlos Sousa juntar-se a Gil Fernandes (Fortaleza do Guincho), Ricardo Machado (Beco Cabaret Gourmet) e ao britânico Jordan Bailey, do Maaemo, em Oslo (três estrelas Michelin).

Finalmente, a 22 de maio, no 1300 Taberna, celebram-se os peixes de água doce — cada vez mais em voga — com o especialista na matéria Rodrigo Castelo (Taberna Ó Balcão), o mestre em cozinha japonesa Pedro Almeida (Midori), e dois representantes de restaurantes que andaram nas cogitações Michelin para este ano, Pedro Pena Bastos, do Esporão, e Emília Reis, do Vista (Bela Vista Hotel). Estes quatro jantares têm início às 19h30, lotação limitada a 60 pessoas e custam 130€, com bebidas incluídas.