A Economist Intelligence Unit (EIU) considerou esta quinta-feira que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil só vai recuperar da recessão dos últimos dois anos em 2021, e que a riqueza medida por habitante só subirá a partir daí. “O PIB real só voltará aos níveis pré-recessão em 2021, e vai demorar ainda mais tempo em termos de PIB ‘per capita'”, escreveram os peritos da unidade de análise da revista britânica The Economist.

Numa análise ao Brasil, enviada aos investidores, e a que a Lusa teve acesso, os analistas dizem que “vai demorar algum tempo até até que a economia brasileira acelere, não apenas por causa do imperativo do ajustamento orçamental, mas também porque o consumo privado será fraco”.

A EIU antecipa que, depois de uma queda acumulada do PIB de 7,3% em 2015 e no ano passado, a economia vá gradualmente acelerar no primeiro trimestre deste ano e ganhe fôlego nos meses seguintes, até chegar ao último trimestre com uma taxa à volta dos 2% ao ano, mas estatisticamente o crescimento não deverá ultrapassar os 0,5% este ano.

Além do peso da reforma orçamental e do consumo privado, o crescimento será também prejudicado pelas reformas na segurança social, “que vão afetar o consumo”, e o desemprego, atualmente nos 13%, vai continuar elevado em 2017, abrandando apenas gradualmente em 2018, considera a EIU.

No plano político, os analistas consideram que Michel Temer vai levar o mandato até ao fim e que continuará a defender a aplicação de reformas económicas, o que se deverá manter no próximo Governo, partindo do princípio que o líder vai emanar do centro-direita do espectro político. A EIU reconhece, no entanto, que “há riscos consideráveis sobre esta previsão dados os altos níveis de incerteza política que decorrem de uma corrida presidencial aberta”.

A nível internacional, o Brasil deverá “dar prioridade a acordos com os parceiros na região e no estrangeiro, estando ansioso por relançar o Mercosul” e procurar acordos comerciais com países como a Índia, o México ou o Canadá.

De resto, não deverá ser alvo das políticas protecionistas do novo Presidente dos Estados Unidos, uma vez que não está verdadeiramente integrado na cadeia global de manufatura, ao contrário de outros países como a China ou o México, concluem os analistas.