No comunicado enviado quarta-feira, 4 de Abril, ao Ministério da Administração Interna (MAI) e aos grupos parlamentares, o maior sindicato dos polícias, escassos dias depois de vários incidentes registados junto ao Estádio da Luz, no âmbito do Benfica-Porto, exige medidas urgentes para “travar a violência no futebol” e acusa os dirigentes e representantes dos clubes de promoverem uma “espécie de cenário de guerra semanal” – para a qual os agentes da PSP são arrastados sem receber mais por isso.

Para além de exortarem o Governo e a Assembleia da República a legislarem para que “a impunidade daqueles que, reiteradamente, são vistos em cenas violentas ou ao seu incitamento” chegue ao fim, os polícias exigem que os clubes se responsabilizem não só por aquilo que ocorre dentro dos estádios mas também pelo que se passa nas zonas adjacentes – passando a pagar também pelos serviços dos agentes mobilizados para fazer o acompanhamento das claques e o patrulhamento das imediações dos campos.

Garantiu à TSF Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), só os agentes colocados no interior dos estádios recebem uma gratificação extra por parte dos clubes. Os outros serão “tirados a outras funções” ou chamados apesar de não estarem de serviço, não ganhando nem mais um cêntimo por isso.

“A própria PSP considera alguns dos jogos de futebol profissional como sendo de risco elevado, efetuando conferências de imprensa e dando conselhos de segurança à população. No entanto, os Profissionais da Polícia são escalados para efetuar serviço como se de um dia normal de trabalho se tratasse”, pode ler-se no comunicado.

“É inadmissível e inaceitável, estamos a falar de clubes que fazem daqueles jogos negócio, portanto não tem de ser o Estado nem o erário público a pagar todo o policiamento que envolve esses jogos de futebol”, acrescentou Paulo Rodrigues. “Estamos a fazer um favor a sociedades anónimas desportivas, estamos a falar de negócios – porque aquilo que os clubes fazem são negócios -, envolvem milhões de euros, e os polícias de alguma forma estão a fazer um favor, que não querem fazer, e não têm qualquer comparticipação pela complexidade e exigência que o seu trabalho envolve.”

De acordo com o presidente da ASPP/PSP, que estabelece como prazo para a tomada de medidas o início da próxima temporada, em todos os jogos de futebol há pelo menos um polícia agredido e são vários os profissionais com “mazelas irreparáveis” ganhas neste tipo de serviço. Ou o policiamento e acompanhamento de claques passa a ser paga pelos clubes, avisa, ou os polícias vão avançar para a organização de protestos.