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PCP vota contra condenação a ataque com armas químicas na Síria

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O PCP votou com o PEV contra o voto de condenação ao ataque com armas químicas na Síria e apresentaram um voto a condenar "operações de desestabilização" do ocidente. Um deputado comunista exaltou-se.

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O PCP e o Partido Ecologista “Os Verdes” votaram esta sexta-feira contra o voto de condenação pelo ataque com armas químicas na Síria, apresentado por PSD e PS. O voto acabou assim por ser aprovado, por maioria, com os votos de PSD, PS, CDS, Bloco de Esquerda e PAN. O vice-presidente do CDS, Telmo Correia, acusa os comunistas de estarem ainda presos no tempo em 1917 e colocarem “as culpas nos Estados Unidos da América“, quando o que está em causa é um “ataque hediondo” do regime de Bashar al-Assad com o uso de armas “que são proibidas e que devem continuar proibidas”. O centrista admite, no entanto, que “no conflito sírio não há culpas só de um lado.

Durante a intervenção de Telmo Correia, o deputado comunista Francisco Lopes não parou de gritar extremamente exaltado: “Quem foi? Quem foi? Diga quem foi! Quem foi?” Pouco depois, o líder da bancada parlamentar comunista, João Oliveira, admitiu que “o uso de armas tem de ser condenado e o que aconteceu na Síria tem de ser investigado”, disse, referindo-se à investigação que já foi pedida pelo governo sírio e que está a decorrer. “Essa condenação de uso de armas químicas tem de ser um elemento de afirmação sem hesitação. Outra coisa diferente é dar por concluída uma investigação que ainda não está feita”, afirmou.

João Oliveira acrescentou depois que o Parlamento “ainda está à espera que Durão Barroso e Paulo Portas dêem justificações sobre as armas de destruição maciça que justificaram a intervenção no Iraque que Barroso e Portas apoiaram“. O comunista denuncia que não podem contar com o PCP para uma condenação do uso de armas químicas que mais não é do que “justificar uma nova intervenção militar de agressão contra um país” soberano.

Do lado do Bloco de Esquerda, que votou a favor do voto de condenação, Pedro Filipe Soares foi perentório ao dizer que o Bloco “condena frontalmente o ataque com armas químicas feito na Síria”, assim como toda a escalada de uma guerra que tem sido recorrentemente condenada pelos vários partidos políticos na Assembleia da República. Para os bloquistas, não há inocentes nesta história a não ser os civis que “morrem numa guerra ignóbil”. “Entre Bashar Al-Assad, Vladimir Putin e Donald Trump não há inocentes”, disse.

No último congresso do PCP, logo na abertura, Jerónimo de Sousa alertava:

O sistema capitalista resiste ao seu declínio e desenvolve uma multifacetada ofensiva visando apropriar-se de mercados, matérias-primas e posições estratégicas, destabilizar e submeter países que se oponham aos seus desígnios, violam a soberania dos Estados e desencadeiam guerras de agressão que provocam incontáveis sofrimentos e destruições, como no Afeganistão, no Iraque, na Líbia ou na Síria.”

Um membro do partido comunista sírio, que tem sido aliado de Assad, discursou no Congresso comunista. O PCP, que foi o único que chumbou o voto de condenação proposto pelo PS e PSD, apresentou um voto próprio de condenação, mas em sentido contrário, no sentido da condenação das operações militares que prosseguem em território sírio. Mas o voto foi chumbado, com os votos contra do PSD, CDS e PS, e com a abstenção do BE e PAN.

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