Cerca de mil estudantes portugueses que participavam na viagem de finalistas em Torremolinos, Málaga, no sul de Espanha, foram expulsos do hotel por alegado vandalismo praticado na madrugada deste sábado. A notícia foi avançada pelo Correio da Manhã e confirmada pelo Observador junto de fonte da PSP.

O motivo da expulsão teve a ver com “mau comportamento” e “desacatos no hotel” que, segundo o El País, provocaram danos de “milhares de euros”. O Governo português está a acompanhar a situação e, segundo o secretário de Estado das comunidades, o hotel alega que o seguro da agência que organizou a viagem “não é suficiente” para cobrir os danos.

Os jovens já estão a ser encaminhados para Portugal, devendo chegar ainda esta noite.

Os desacatos tiveram lugar no hotel Pueblo Camino Real, Los Álamos, Torremolinos, e a viagem, apurou o Observador, foi organizada pela agência Slide In, que se dedica sobretudo à organização deste tipo de eventos de finalistas.

O jornal espanhol El País, citando a polícia local, aponta para o facto de os jovens portugueses (que diz serem 800) terem destruído vários espaços do hotel, incluindo azulejos, atirado colchões pelas janelas, esvaziado extintores nos corredores e até atirado um televisor para uma banheira. Os estragos, segundo aquele jornal, estão provisoriamente avaliados em “milhares de euros”.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Citado pelo jornal El País, fonte do hotel diz que foi aberta uma investigação policial e que “nunca viu nada assim”. Para esta segunda-feira está marcada uma conferência de imprensa no hotel, sendo que até la não serão dadas mais informações.

Já a TVI cita a mãe de um dos jovens expulsos do hotel. A viagem custou “entre 625 e 650 euros”, disse Mia Madeira ao canal televisivo português, mãe de um finalista de Odivelas que seguiu para Espanha no sábado anterior. De acordo com a mesma fonte, a viagem de regresso estava agendada para este domingo de manhã. Também à TVI, Mia Madeira afirmou que o mesmo grupo de Odivelas “não esteve envolvido nos desacatos”, que terão sido autoria, disse, de “um grupo do norte”.

Seguro da agência não cobre danos

O Governo português está a acompanhar a situação, segundo revelou à agência Lusa o Secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro. “Os nossos serviços consulares já dialogaram com as autoridades [espanholas] e encontram-se a acompanhar a situação”, disse o governante, acrescentando que, de acordo com a informação de que dispõe, os estudantes “encontram-se bem”.

Segundo o secretário de Estado, a empresa que organizou a viagem “tinha seguro”, mas o hotel “entende que o seguro não é suficiente para cobrir” os danos causados.

O caso foi acompanhado por dois agentes da PSP que estavam destacados para Torremolinos. “Dois agentes do comando de Lisboa da PSP estão a acompanhar as autoridades espanholas”, disse ao Observador a subcomissária da PSP Helga Fiúza, referindo-se aos dois agentes já habitualmente são destacados para aquela zona no âmbito de um protocolo de comissarias europeias como reforço da época festiva das férias da Páscoa.

Notando que a polícia portuguesa “não tem autoridade em solo espanhol”, a subcomissária acrescenta ainda que os dois agentes da PSP não regressaram a Portugal com o grupo.

Metade deste grupo de cerca de mil jovens terá sido expulso do hotel na sexta-feira e já foi encaminhado para Portugal de autocarro, sendo que os restantes tiveram ordem de saída este sábado e deverão regressar ao país ainda hoje. Contactadas pelo Observador, fontes da direção nacional da PSP não avançaram detalhes sobre a origem dos estudantes nem o nome do hotel onde os desacatos tiveram lugar. Citada pelo Jornal de Notícias, fonte da direção nacional da PSP adiantou apenas que “o comportamento [dos estudantes expulsos] extrapolou o aceitável”.

Milhares de estudantes do ensino secundário portugueses estão em várias localidades do sul, de Espanha em viagens de finalistas. Benalmádena, Marina D’Or e Punta da Umbria são alguns dos destinos escolhidos. A este tipo de grupos de turistas, é comum os hotéis pedirem o pagamento de uma caução para eventuais danos materiais que possam ocorrer durante a estadia.