Paul Manafort, chefe de campanha de Donald Trump, está sob investigação por alegadas relações antigas com o Kremlin. E o Público conta esta segunda-feira como este homem, envolto em polémica nos EUA, teve negócios com a Sociedade Lusa de Negócios (SLN), liderada por Manuel Dias Loureiro. Foram negócios ruinosos em Puerto Rico, financiados pelo BPN — banco que acabaria por nacionalizado e custar, provavelmente, mais de três mil milhões de euros aos contribuintes — e que envolvem pagamentos indevidos que o Ministério Público investigou mas não conseguiu provar “de forma conclusiva”.

O ex-ministro e ex-conselheiro de Estado, nos tempos de Cavaco Silva, escreveu algumas linhas sobre estes negócios em Puerto Rico num artigo publicado no Diário de Notícias na semana passada, lembrando que não lhe foram imputados quaisquer crimes. Ao Público, contudo, Dias Loureiro confirmou o envolvimento nestes negócios por parte de Paul Manafort, que terá tido ligações promíscuas com os governos russo e ucraniano, na década passada. Manafort terá, também, participado em financiamentos a Jonas Savimbi durante a guerra civil de Angola.

Manafort está a ser investigado nos EUA por ligações obscuras ao Kremlin e outros regimes. (Drew Angerer/Getty Images)

Nos negócios com a SLN, estava em causa uma transação que remonta a 2001. Foi um negócio entre a SLN-Novas Tecnologias e a empresa de Porto Rico Biometrics, uma empresa ligada a Adbul Al Assir, um negociante de armas de origem libanesa. O contrato da venda de 25% da Biometrics à SLN (vendido por Al Assir) foi escondido das autoridades e nunca foi refletido nas contas oficiais do BPN, que financiou vários negócios da SLN.

A 26 de Junho de 2002, descobriu o Ministério Público, realizou-se uma reunião para tentar sanar as divergências que estavam a formar-se na parceria da SLN em Porto Rico. Pela Biometrics, aparece Paul Manafort aparece a representar a empresa de Al Assir, que também estava na reunião. Do outro lado, Dias Loureiro e outros responsáveis da SLN. A Biometrics, que haveria de acusar a SLN de violação contratual, foi um símbolo da desconfiança que se viria a gerar entre Oliveira e Costa e Dias Loureiro.