A exposição A Cidade Global — Lisboa no Renascimento, que esteve patente no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, entre 23 de fevereiro e 9 de abril, recebeu 41.314 visitantes, anunciou esta segunda-feira a direção do MNAA.

Comissariada por Annemarie Jordan Gschwend e Kate Lowe, a mostra procurou reconstruir a Lisboa renascentista, partindo do quadro Vista da Rua Nova dos Mercadores (atribuído a um pintor flamengo anónimo de finais do século XVI, inícios do século XVII), identificado em 2009 pelas curadoras. Composta por 249 peças, pertencentes a 77 emprestadores nacionais e estrangeiros, a exposição recebeu média de 1.060 visitantes por dia.

“Foi um dos grandes projetos do museu”, frisou a direção do MNAA em comunicado. “Em boa hora, [o Museu Nacional de Arte Antiga] entendeu endereçar a Annemarie Jordan e Kate Lowe o convite para adaptarem a uma exposição o livro que acabavam de editar em Londres, numa ampla recriação trabalhada com a equipa do museu, que renovou e alargou muitíssimo o espetro da ilustração. A resposta dos públicos demonstrou o que o MNAA pensou desde a primeira hora: esta exposição tinha de fazer-se.”

Apesar da popularidade, A Cidade Global — Lisboa no Renascimento não se viu livre de uma boa dose de polémica. Depois da autenticidade de Vista da Rua Nova dos Mercadores e de outro quadro, O Chafariz d’El-Rey (também uma vista da mesma rua lisboeta), ter sido posto em causa pelo historiador Diogo Ramada Curto num artigo publicado no jornal Expresso, o MNAA viu-se obrigado a contactar os donos das duas obras e a pedir novos estudos laboratoriais.

Os resultados feitos a O Chafariz d’El Rey, pertencente à Coleção Berardo, foram conhecidos na semana passada e revelaram a autenticidade do quadro. A Sociedade de Antiquários de Londres, a quem pertence a outra obra, não autorizou a realização de novos testes em Portugal. Em comunicado, o MNAA informou na altura que “não perspetiva a realização de mais análises”.