Líbia

Migrantes são vendidos como escravos por menos de 200 euros na Líbia

A Organização Internacional para as Migrações alertou para a existência de "mercados de escravos" na Líbia, onde migrantes sem documentos e refugiados são "vendidos como mercadoria".

Esta situação de servidão dura em média "entre dois e três meses", mas pode ser mais

YARA NARDI / ITALIAN RED CROSS/ HANDOUT/EPA

Autor
  • Agência Lusa

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) alertou esta segunda-feira para a existência de “mercados de escravos” na Líbia, onde migrantes sem documentos e refugiados provenientes dos países subsaarianos são “vendidos como mercadoria”.

“O que nos preocupa é que os migrantes sejam vendidos. Vender seres humanos tornou-se numa tendência entre traficantes à medida que as redes das máfias se reforçam cada vez mais na Líbia”, realçou em conferência de imprensa o chefe de missão da OIM para aquele país, Othman Belbesi.

O mesmo responsável explicou que a OIM não dispõe de números sobre os migrantes vendidos, mas disse que recolheu testemunhos, bem como informações de organizações líbias e de ativistas dos direitos humanos, incluindo fotografias que mostram o que está a “acontecer em diferentes partes do país”.

“Já há algum tempo que isto ocorre, mas tem vindo a aumentar, tornando-se significativo durante o ano passado”, explicou Belbesi, acrescentando que “comprar” um migrante sem documentos no mercado (para que depois trabalhem à jorna) custa entre 200 e 500 dólares (entre 188 e 472 euros).

Segundo a OIM, em 2017 cerca de 27 mil migrantes sem documentos saíram da Líbia e chegaram à Itália, mais 7 mil do que no mesmo período do ano anterior.

Os migrantes mais afetados são os que vêm da África subsaariana e que residem na Líbia, disse Belbesi.

“Podemos falar de vítimas da Nigéria, Senegal, Gâmbia e de muitas outras nacionalidades”, explicou.

As pessoas “compradas” no mercado umas vezes recebem pagamento pelo trabalho prestado e outras não.

“Principalmente são forçadas a trabalhar na construção civil e na agricultura. Há muitos abusos e trabalhos forçados”, afirmou Belbesi.

“Muitos fogem, outros são mantidos em estado de servidão e escravatura, e muitos são mesmo fechados em locais onde os forçam a trabalhar diariamente”, sublinhou o especialista da OIM.

Esta situação de servidão dura em média “entre dois e três meses”, mas pode ser mais.

A OIM escutou testemunhos de mulheres nestas situações que foram maltratadas, violadas e forçadas a prostituir-se.

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